As mortes tiveram lugar no subúrbio de Cochabamba (centro), reduto político do ex-Presidente, onde ocorreram confrontos ao longo do dia entre milhares de manifestantes e a polícia.

As imagens dos corpos começaram por ser partilhadas nas redes sociais. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) não só confirmou as cinco mortes, mas também indicou que há um número indeterminado de feridos.

A CIDH denunciou em comunicado “o uso desproporcional da força policial e militar”, ao recorrerem a armas de fogo para reprimir as manifestações.

Os manifestantes tinham armas de fogo e apareceram com artefactos explosivos, sublinhou o comandante da polícia de Cochabamba, o coronel Jaime Zurita, que adiantou ter sido efetuada uma centena de detenções.

Os apoiantes de Morales também se manifestaram em La Paz.

O ex-Presidente boliviano Evo Morales disse numa entrevista divulgada na sexta-feira pela agência de notícias Associated Press que quer a ONU a mediar a crise política no país e admitiu pedir a intervenção da Igreja Católica e do papa Francisco.

Morales afirmou ter sido deposto do cargo através de um golpe de Estado que o forçou a exilar-se no México.

Na Cidade do México, Morales sustentou que é o Presidente da Bolívia, já que o parlamento ainda não aceitou a demissão, apresentada no domingo a pedido de líderes militares, após semanas de protestos contra um reeleição que a oposição apelidou de fraudulenta.

A renúncia de Morales surgiu após protestos em todo o país por suspeita de fraude eleitoral na eleição de 20 de outubro, na qual o então governante alegou ter conquistado um quarto mandato.

Uma auditoria da Organização dos Estados Americanos constatou irregularidades generalizadas no escrutínio.

Grande parte da oposição a Morales foi desencadeada pela recusa do então chefe de Estado boliviano em aceitar um referendo que o poderia proibir de concorrer a um novo mandato.

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