O Chega acusou hoje o primeiro-ministro de "tentativa de condicionamento" da justiça na sua comunicação ao país, o PAN considerou tratar-se de uma ação de 'greenwashing' e a Iniciativa Liberal insistiu na demissão de João Galamba.

O líder do Chega, André Ventura, classificou de "ato bizarro, deselegante e inadequado" as declarações de António Costa, que foram proferidas numa altura em que ainda estão a ser realizados os interrogatórios da investigação 'Operação Influencer'.

"O Chega não vai deixar passar esta inadmissível, intolerante intromissão na justiça", insistiu André Ventura, considerando ainda ter-se tratado de um "exercício de vitimização" e "tentativa de condicionamento".

Já a líder do PAN, Inês de Sousa Real, afirmou que os portugueses contam com o partido nas próximas eleições para ser uma "voz" para o "compromisso do ambiente" para que "não haja este tipo de política de 'greenwashing' [lavagem verde] porque o país precisa de transição energética, mas não desta forma".

"Houve de facto um pedido de desculpa ao país, mas poderia ter-se tudo evitado se tivesse havido um verdadeiro compromisso com um maior combate à corrupção, com mais meios ao poder judicial para atuar e prevenir estes fenómenos e não para quando eles acontecem corrermos atrás do prejuízo que tanto prejuízo causam à qualidade de vida das famílias", afirmou.

Bernardo Blanco, da Iniciativa Liberal (IL), salientou que "com menos burocracia, com menos socialismo, com menos Estado há menos incentivos à corrupção".

"O problema não é o investimento, o investimento é bem-vindo, o problema é favorecer certos investidores ou certos negociadores e isso António Costa nada falou, em oito anos pouco ou nada fez e agora só se lembra disto quando se vê envolvido num escândalo de corrupção, envolve o seu melhor amigo, o seu chefe de gabinete, um dos seus ministros, agora esta obsessão, que achamos positivo atração de investimento só aparece agora", acrescentou o deputado da IL.

Considerou "lamentável que o ministro João Galamba não tenha sido demitido" porque "não há qualquet tipo de condições políticas" para que este continue em funções.

Bernardo Blanco defendeu a necessidade de "um novo ciclo de governação".

Quanto ao pedido de desculpas, disse ser "muito curto" e tratar-de de "uma tentativa de distanciamento".

O presidente do CDS-PP, Nuno Melo, num comunicado enviado às redações, classificou de "inaceitável que se permita utilizar o cargo e a sua residência oficial para se defender de circunstância judiciais e pessoais, que só podem ser dirimidas nos tribunais".

Criticando a comunicação de António Costa, o líder do CDS-PP apontou que o "primeiro-ministro desperdiçou a oportunidade de fazer aquilo que os portugueses esperavam: demitir João Galamba, fazendo cessar o principal foco de censura que persiste no Governo".

E rematou: "Mantendo agora João Galamba no cargo, apesar de ser o rosto mais expressivo da crise política, António Costa pretende afrontar uma vez mais o Presidente da República".

O primeiro-ministro afirmou hoje que o dinheiro encontrado em envelopes no escritório do seu ex-chefe de gabinete Vítor Escária lhe suscitou mágoa pela confiança traída, envergonhou-o, e pediu desculpa aos portugueses.

BE

Pedro Filipe Soares recorre ao ditado popular "as desculpas não se pedem, evitam-se". E se assegura que evitá-las teria sido fácil, bastava ter ouvido os avisos do BE.

“Na opinião de António Costa nada deve mudar, quer o regime de desresponsabilização ambiental, quer o regímen de projetos de interesse nacional criados na altura do governo de José Sócrates e acarinhados por PS e PSD e que serviram para negócios contestados na praça pública e alguns judicialmente”.

LIVRE

Rui Tavares resume a declaração do Primeiro Ministro como tendo sido "chorar sobre leite derramado".

IL

Bernardo Blanco diz ser “lamentável que o ministro João Galamba não tenha sido demitido” pelo chefe de Governo ainda em funções, sublinhando que “é preciso um novo ciclo de governação”.

CHEGA

André Ventura acredita que Costa "pisou a linha da separação de justiça e a política, da decência e da não decência". Diz que o Primeiro Ministro foi contra o que tem defendido de não interferir na justiça, uma vez que a data escolhida foi de "mau gosto" por ser o dia em que os arguídos estão a ser ouvidos. Acrescenta que esta foi uma tentativa de vitimização e de condicionamento.

PCP

António Filipe refere os conflitos entre os negócios e o poder.“Estamos perante situações que têm envolvido governos do nosso país em que a promiscuidade entre interesses económicos. A atuação pública tem sido preterida”, frisa.

Na tarde deste sábado, António Costa anunciou que falaria ao país sem desvendar o tema. Haveria de dizer aos jornalistas que falou “para que Portugal não desperdice oportunidades estratégicas e para que futuros governos não percam instrumentos essenciais”. E que apenas quis explicar as “opções políticas do Governo”.A declaração acontece dias depois de ter anunciado a sua demissão.

*Com Lusa

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