"Na sequência da primeira reunião da sua comissão executiva, o CDS informa que Abel Matos Santos apresentou a sua renúncia ao cargo de vogal que ocupava neste órgão, não permitindo, deste modo, que as suas afirmações passadas possam suscitar dúvidas sobre a tradição política em que o CDS, inquestionavelmente, se insere", refere o comunicado.

No mesmo texto, o órgão mais restrito da direção, que se reuniu na segunda-feira à noite, salienta que "o CDS é fronteira de todos os extremismos, farol dos valores da democracia cristã, do humanismo personalista e do primado da dignidade da pessoa humana".

"Estes valores foram reafirmados na moção vencedora do 28.º congresso (Voltar a Acreditar), servem de guia e de limite à nossa ação política, e a todos vinculam", aponta a comissão executiva.

Ao final da tarde, uma fonte do partido disse à Lusa que o ex-porta-voz da tendência Esperança em Movimento, Abel Matos Santos, formalizou hoje, junto da direção, a sua demissão de vogal da comissão executiva do CDS-PP, na sequência de declarações polémicas.

Abel Matos Santos entrou na corrida à sucessão da ex-presidente do partido, Assunção Cristas, mas não chegou a levar a sua moção a votos, tendo desistido a favor do atual presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos.

O psicólogo clínico integrou as listas apresentadas pelo atual líder, tendo sido eleito em congresso vogal da comissão executiva.

Abel Matos Santos abandona hoje a direção do CDS, ao fim de duas semanas, depois de ter sido noticiado pelo Expresso que defendeu, de 2012 a 2015, em publicações na rede social Facebook, elogios a Salazar e à PIDE, e apelidou de "agiota dos judeus" o cônsul de Portugal em Bordéus Aristides Sousa Mendes, que ajudou a salvar milhares de judeus durante a II Guerra Mundial.

Na última quinta-feira, deixou também de ser porta-voz da Tendência Esperança em Movimento.

O agora ex-dirigente reagiu à polémica e, sem negar a autoria das frases, afirmou ao semanário Expresso que "expurgar frases desses textos e descontextualizá-las não é um exercício sério".

No final da semana passada, o ex-vice-presidente do CDS-PP e ex-ministro António Pires de Lima exigiu ao novo líder do partido que retirasse “a confiança política" a Abel Matos Santos, dada a "gravidade das declarações" que fez sobre Salazar e Aristides Sousa Mendes.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, a comissão executiva dos democratas-cristãos explicitou que no partido "não há espaço para o racismo, para a xenofobia, para o antissemitismo, para a intolerância ou para qualquer saudosismo de regimes que não assentem na liberdade".

A nota emitida acrescentava que o CDS repudia, "com veemência, qualquer afirmação passada, presente ou futura" que se afaste da matriz do partido e que precisa de "se reconciliar com o seu passado, de incluir e de somar com todos os seus militantes e sensibilidades, e de saber agregar, numa proposta mobilizadora para os portugueses, as correntes de pensamento que o compõem".

Os democratas-cristãos referiam igualmente que Abel Matos Santos "é também um reflexo" do espírito de "unidade, compromisso e pluralismo" do CDS-PP, e que o ex-vice-presidente "fundou e liderou uma tendência interna do partido, cuja carta de princípios expressamente reconhece ‘os princípios gerais do Estado de direito'".

"É tempo de seguir em frente e de não permitir que os equívocos e mal-entendidos do passado nos comprometam o futuro", finalizava o comunicado.

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