Depois de Boston, no 10 de junho, onde estará ao lado do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, nas comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, António Costa prossegue ao longo da próxima semana uma viagem pelos Estados Unidos que o levará também a São Francisco e Sacramento, na costa oeste dos Estados Unidos, terminando o périplo em Nova Iorque, no próximo dia 16.

Uma das principais componentes desta viagem é de caráter económico, sendo objetivo do Governo português avançar para novas parcerias com instituições norte-americanas nos domínios empresarial, científico e universitário, assim como captar novos investimentos diretos dos Estados Unidos em Portugal.

"Esta nossa ofensiva diplomática está a ser preparada com grande detalhe desde setembro passado. Queremos aproveitar a 'onda' de popularidade de Portugal nos Estados Unidos para aumentar ainda mais a notoriedade do país, atrair novos investimentos, captar ainda mais turistas e reforçar os laços na cooperação científica e universitária", sintetizou à agência Lusa fonte do executivo.

As recentes medidas protecionistas adotadas pela administração de Donald Trump em relação à União Europeia são registadas pelo Governo português "como uma vicissitude", mas "não travam a iniciativa portuguesa".

"Os Estados Unidos, país da liberdade de iniciativa, têm milhares de instituições universitárias, científicas e empresas totalmente independentes do poder de Washington, assim como executivos estaduais com grande autonomia política", justifica fonte diplomática à agência Lusa.

Esta intensa presença institucional portuguesa nos Estados Unidos da América durante este mês de junho, que o Presidente da República já qualificou como "um ato de diplomacia pública", tem subjacente uma espécie de divisão de tarefas.

"O primeiro-ministro dedica-se mais à cooperação económica e científica com os Estados Unidos. O momento alto político acontecerá quando o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, for recebido, no final do mês, por Donald Trump em Washington", disse fonte do executivo.

A comitiva oficial do primeiro-ministro traduz o duplo objetivo económico-científico e de contacto com as comunidades portuguesas inerente à sua visita aos Estados Unidos.

Com António Costa viajam o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro - a maioria dos portugueses e lusodescendentes residentes nos Estados Unidos são de origem açoriana -, o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, os ministros da Ciência e Ensino Superior, Manuel Heitor, e Economia, Manuel Caldeira Cabral.

Estarão também nos Estados Unidos ao lado do líder do executivo o presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), Luís Castro Henriques, e os secretários de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, e do Turismo, Ana Mendes Godinho, que no próximo dia 15, em Nova Iorque, na Times Square, ativará um painel eletrónico "Marca Portugal" para promoção turística do país.

Condoleezza Rice e Jerry Brown na agenda de encontros de Costa nos Estados Unidos

O primeiro-ministro terá na sua visita aos Estados Unidos encontros com a antiga secretária de Estado Condoleezza Rice e com o governador da Califórnia, Jerry Brown, numa deslocação em que pretende salientar o peso político-económico dos lusodescendentes.

António Costa é recebido pela antiga secretária de Estado de George W. Bush, ao fim da manhã de terça-feira, quando iniciar uma visita à Universidade de Standford, em São Francisco, na Califórnia.

Na cerimónia de boas-vindas, no Standford Hoover Institution, estará também presente John de Melo, de ascendência portuguesa, que é presidente executivo da Amyris, uma multinacional norte-americana para a biotecnologia.

No dia seguinte, em Sacramento, capital do Estado da Califórnia, o primeiro-ministro reúne-se com o governador Jerry Brown, um dos mais carismáticos dirigentes democratas entre as décadas de 70 e 90 - período em que concorreu por três vezes à nomeação presidencial pelo seu partido. Enfrentou por duas vezes Jimmy Carter (1976 e 1980) e por uma vez Bill Clinton (1992).

Fonte diplomática disse à agência Lusa que um dos principais objetivos da visita de sete dias do primeiro-ministro aos Estados Unidos, que passará por sete cidades norte-americanas, visa precisamente por "salientar o crescente peso" da comunidade portuguesa e dos lusodescendentes em vários domínios neste país.

No plano político, ao nível federal, destacam-se três representantes da Califórnia: Devin Nunes (presidente do Comité de Intelligence, republicano), David Valadão (republicano) e Jim Costa (democrata).

1,375 milhões de cidadãos portugueses e lusodescendentes nos Estados Unidos

Segundo estatísticas oficiais de 2016, residem nos Estados Unidos 1,375 milhões de cidadãos portugueses e lusodescendentes, dos quais 242 mil nascidos fora deste país.

O Estado onde residem mais portugueses e lusodescendentes é na Califórnia com cerca de 350 mil - uma comunidade que se tem queixado de estar mais afastada do poder político português e com a qual António Costa e o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, vão encontrar- no decurso desta visita, logo ao fim da tarde de segunda-feira, em São José, mais concretamente numa sessão no Centro de Convenções de Santa Clara.

Após a Califórnia, o Estado do Massachusetts onde habitam mais portugueses e lusodescendentes, cerca de 278 mil, seguindo-se Rhode Island, a Flórida, New Jersey e Nova Iorque.

De acordo com os mesmos dados, cerca de 30% da população com origem portuguesa tem uma licenciatura e existem em todo o país 342 associações portuguesas e ou luso-americanas registadas, destacando-se o PALCUS (Portuguese American Leadership Council of the United States) e a NOPA (National Organization of Portuguese-Americans) pelo seu potencial de atuação aos níveis local, estadual ou federal em defesa dos interesses da comunidade portuguesa.

Estados Unidos é o maior parceiro comercial de Portugal fora da União Europeia

Os Estados Unidos são o maior parceiro comercial de Portugal fora da União Europeia, com as exportações nacionais a registarem um acelerado crescimento entre 2013 e 2017, mas há já sinais de travagem no início deste ano.

De acordo com dados da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), as exportações nacionais cresceram de 3,4 mil milhões de euros em 2013 para 4,66 mil milhões de euros em 2017 - um aumento de 8,6% em cinco anos.

As importações também cresceram neste mesmo período de cinco anos, mas apresentam valores absolutos mais baixos do que os das exportações: 1,89 mil milhões de euros em 2017 e 2,7 mil milhões em 2017.

No ano passado, segundo os mesmos dados da AICEP, os Estados Unidos mantiveram-se como o maior parceiro comercial de Portugal fora da União Europeia e estão na quinta posição ao nível global.

No entanto, como resultado de sinais que têm sido transmitidos pela administração de Washington, que se traduzem designadamente, num reforço de medidas protecionistas face a produtos como o aço e alumínio provenientes da União Europeia, nos primeiros meses deste ano registaram-se já alguns sinais de travagem.

A AICEP refere que no primeiro trimestre deste ano as exportações portuguesas para o mercado norte-americano recuaram 7,3% face ao período homólogo de 2017.

No que respeita ao tipo de exportações nacionais para o mercado norte-americano, a liderança pertence ao grupo dos combustíveis e minerais, que representa 23,6% do total, seguindo-se os produtos químicos com 8,1%.

O número de empresas portuguesas a exportar para os Estados Unidos atingiu 3220 no ano passado, mais 113 do que em 2016.

As maiores empresas nacionais exportadoras para os Estados Unidos são a Amorim, Petróleos de Portugal, a Bosch, Browning Viana, a Continental, a Hovione, a IKEA Portugal, a Navigator e a Netsjets Transportes Aéreos.

Entre os maiores investidores nacionais no mercado norte-americano estão a EDP Renováveis, a Hovione, o grupo Amorim, a Portucel e o grupo Pestana.

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