Numa altura em que não há atividades letivas presenciais para travar a propagação do novo coronavírus, o covid-19, as crianças estão também confinadas ao espaço do lar. Muitas delas têm agora maior acesso à Internet e podem passar mais tempo a utilizar dispositivos como o tablet e o telemóvel. Com os pais e mães em modo de teletrabalho, pode haver situações em que as crianças estejam menos supervisionadas nas aplicações e nos conteúdos a que têm acesso.

No entanto, esta é uma altura em que os casos de violência sexual online contra crianças pode aumentar. A Europol informou esta semana que tem registado um aumento de atividade nos fóruns online de abusadores. Nestes espaços, o isolamento social é visto como uma “boa oportunidade para iniciar contactos com crianças”, sobretudo porque estas podem estar mais vulneráveis devido ao isolamento, com maior exposição online e menos supervisionadas.

Recomendações para quem tem crianças ao seu cuidado

- Explore as definições de segurança e acesso à Internet dos dispositivos que a criança usa. Ative o controlo parental e as opções necessárias para bloquear conteúdos impróprios para menores.

- Converse frequentemente com as crianças sobre os conteúdos e aplicações a que elas têm acesso.

- Conheça os jogos, vídeos e outras aplicações que os seus filhos usam. Esteja atualizado sobre as novidades.

- Tenha atenção a amizades ou contactos novos que o seu filho tenha desenvolvido online. Converse com ele sobre em que circunstâncias esta amizades se desenvolveram e alerte-o para os perigos de conversar com estranhos, mesmo que esses estranhos aparentem ser crianças - na realidade, podem não o ser.

- Se o seu filho quiser instalar uma aplicação nova, explore em conjunto as opções e as definições, bem como as possibilidades disponíveis (ex: se é um jogo que permite conversar em tempo real com outros jogadores ou se pode ter convites de amizades de desconhecidos).

- Pesquise na Internet sobre notícias relacionadas com as aplicações que o seu filho usa ou pretende instalar para verificar se há alertas por parte de outros pais ou das autoridades competentes sobre violência sexual.

- Estabeleça regras no acesso e consumo: defina quando, onde e durante quanto tempo podem usar o tablet, computador ou telemóvel. (ex: há aplicações que podem ser acedidas no espaço comum do lar? Há chamadas que a criança/adolescente poderá fazer no seu quarto, mas de porta aberta?)

- Alerte para o tipo de conversas e conteúdos adequados. (ex: para um jogo não deverá ser necessário tirar fotografias à criança. Quais os tópicos de conversa inapropriados com os amigos).

Recordo que nem todos os casos de violência sexual contra crianças são presenciais e requerem contacto físico. O abuso sexual de crianças e adolescentes também pode acontecer através da Internet e das aplicações.


Se tiver alguma dúvida ou questão que queira esclarecer, contacte a Quebrar o Silêncio através dos contactos 910 846 589 e apoio@quebrarosilencio.pt. A Quebrar o Silêncio presta apoio especializado para homens vítimas de violência sexual. Os serviços de apoio são confidenciais e gratuitos.

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