É essa a perspetiva do diretor-geral do evento, Luís Montenegro, que reservou parte da iniciativa a decorrer no centro de congressos Europarque para formação de bombeiros e outros técnicos ligados à Proteção Civil.

"O nosso povo tem evoluído de uma forma fantástica ao nível sociocultural e a verdade é que, apesar de as recentes alterações na legislação poderem ter aumentado o número de animais errantes, há agora muitíssimo menos abandonos do que há 10 anos atrás", disse o veterinário à Lusa.

Para o diretor do congresso que conta já com 2.000 profissionais portugueses e 500 espanhóis, "isso diz muito sobre a evolução social de um país" e contribui também para que os cidadãos se tenham tornado "mais vigilantes" quanto a comportamentos impróprios.

"Atualmente falamos muito mais sobre animais e até as pessoas que não querem ter nenhum em casa se insurgem contra maus-tratos ou abandono, o que demonstra uma maior consciência social sobre o tema", defendeu Luís Montenegro.

Precisamente por essa sensibilidade é que o congresso de 2019 dedica uma forte componente à formação para o contexto específico dos primeiros socorros a animais, área em que "ainda há alguma carência" em termos de procedimentos técnicos.

"Havendo um acidente na autoestrada em que os passageiros fiquem encarcerados na viatura, os profissionais que os vão desencarcerar não vão ficar indiferentes ao animal que ia ao lado nem o vão mandar embora com o reboque. Mas esse mesmo profissional precisa de estar preparado para lidar com um animal que, ferido ou em choque, pode representar algum risco para o próprio socorrista", disse o organizador do congresso.

O XV Congresso Hospital Veterinário Montenegro, este ano com o tema da dermatologia animal, vai conciliar palestras científicas por especialistas europeus com "momentos de 'stand-up comedy', consultas ao vivo e sessões de 'coaching'".

Sessões sobre primeiros socorros a animais realizar-se-ão no sábado e vão abordar tópicos como "Temperaturas extremas - hipotermia, hipertermia e golpe de calor", "Contenção e primeiros socorros em espécies pecuárias", "Legislação, controlo de animais errantes e patologias emergentes", "Imobilização e transporte" e "Reanimação cardiorrespiratória".

Ainda no sábado será também atribuído o Prémio Científico Miguel Faria, com que a organização do congresso homenageia um dos seus fundadores e atribui 1.000 euros à melhor comunicação livre sobre veterinária.

Luís Montenegro realça, nesse contexto, que as comunicações científicas apresentadas nas anteriores edições do evento "têm sido de uma qualidade extremamente elevada", pelo que, se em 2018 foram 85 os candidatos ao prémio, este fim de semana a expectativa é de que esse número possa ser superado e "atingir um novo recorde".

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