A morte ocorreu em Heilongjiang (nordeste), uma província na fronteira com a Rússia, a mais de 1.800 quilómetros de Wuhan, no centro do país, onde surgiu a nova epidemia de pneumonia viral. O outro caso fora de Wuhan foi registado em Hebei, província perto de Pequim.

O número de mortos na China devido ao surto de coronavírus detetado na cidade de Wuhan, no centro do país, subiu hoje para 26 e o de casos confirmados aumentou para 830, revelou ontem a Comissão Nacional de Saúde. De acordo com as autoridades chinesas, há também 1.072 casos suspeitos.

Ao todo, de acordo com a AFP, 13 cidades adotaram medidas de confinamento na região de Wuhan. Na metrópole onde se originou a epidemia, dá-se uma corrida contra o tempo para construir um hospital de 1000 camas em apenas seis dias, segundo a agência Reuters.

O espaço de construção estava destinado a um complexo turístico para trabalhadores locais, mas a propagação da doença levou à mudança da natureza do edifício. A sua abertura está projetada para a próxima semana, sendo um hospital semelhante àquele criado em 2003 em Pequim por ocasião do surto de SARS.

Esta é a lista dos países e regiões que anunciaram casos de contágio por coronavírus. No total, quase 830 pessoas estão afetadas, principalmente no território chinês, segundo o último boletim divulgado nesta sexta-feira pela Comissão Nacional de Saúde.

ARÁBIA SAUDITA/ÍNDIA 

Uma enfermeira indiana que trabalha na Arábia Saudita deu positivo em um teste do coronavírus chinês, e foi hospitalizada no país, anunciaram a 23 de janeiro as autoridades de Nova Deli.

COREIA DO SUL

O primeiro caso na Coreia do Sul é o de uma mulher chinesa de 35 anos que em 19 de janeiro chegou a Seul num avião oriundo de Wuhan.

ESTADOS UNIDOS

Um homem que estava na região de Wuhan foi hospitalizado em Everett, perto de Seattle, onde chegou a 15 de janeiro, anunciaram as autoridades a 21 de janeiro. Entrou em contato com os serviços médicos em 19 de janeiro, após sentir os primeiros sintomas.

JAPÃO

Dois casos foram registados no Japão. O primeiro paciente é um homem que tinha acabado de passar alguns dias em Wuhan e que foi hospitalizado a 10 de janeiro devido a febre alta e outros sintomas.  O segundo caso é também de um homem, residente da cidade chinesa e que chegou ao território japonês no dia 19 de janeiro.

SINGAPURA

Singapura anunciou a 23 de janeiro o primeiro caso de coronavírus. Um homem de 66 anos residente de Wuhan, que chegou três dias antes com febre e tosse.

TAIWAN

O primeiro caso registado em Taiwan é o de uma mulher  que chegou a 20 de janeiro de Wuhan, onde mora, com febre, tosse e dor de garganta.

TAILÂNDIA 

O primeiro caso de contágio por coronavírus fora da China foi identificado na Tailândia a 8 de janeiro. Trata-se de uma mulher que estava a regressar de uma viagem a Wuhan.

Uma chinesa de 74 anos de idade que sofria de pneumonia relacionada ao coronavírus foi hospitalizada após sua chegada em 13 de janeiro em Wuhan.

VIETNAME

Dois chineses, um homem que chegou a 13 de janeiro de Wuhan e o seu filho, morador da cidade de Ho Chi Minh, no sul do Vietname, foram hospitalizados, a 17 e 18 de janeiro, respectivamente, em território vietnamita depois de os seus testes de coronavírus darem positivo, anunciaram as autoridades em 23 de janeiro.

HONG KONG

Duas pessoas que estiveram recentemente em Wuhan tiveram resultado positivo nos testes em Hong Kong, onde foram hospitalizadas.

MACAU

As autoridades de Macau anunciaram a 22 de janeiro um primeiro caso confirmado nesta região chinesa. É uma empresária de 52 anos que chegou três dias antes de comboio da cidade vizinha de Zhuhai.

No entanto, por agora, as pessoas à procura de tratamento em Wuhan estão a ser mandadas embora dos hospitais, que se encontram sobrelotados, devido à falta de camas e kits de diagnóstico para pessoas com sintomas de febre.

O novo vírus, que causa pneumonias virais foi detetado na China no final de 2019.

O surto surge numa altura em que milhões de chineses viajam, por ocasião do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, equivalente ao natal nos países ocidentais. Segundo o Ministério dos Transportes chinês, o país deve registar um total de três mil milhões de viagens internas durante os próximos 40 dias.

Num esforço sem precedentes para tentar travar a propagação, as autoridades chinesas cancelaram as comemorações do Ano Novo chinês em várias localidades, incluindo a capital, Pequim, e procederam ao fecho de partes da Grande Muralha da China, assim como do Estádio Nacional de Pequim e da Disneylândia de Xangai. Os túmulos da dinastia Ming e a floresta Yinshan Pagoda serão encerrados a partir de sábado.

Sabe-se que o virus se transmite sobretudo através das vias respiratórias. De acordo com a Comissão Nacional de Saúde da China, o período de incubação do vírus pode estender-se até 14 dias.

"Já há casos de transmissão e infeção entre seres humanos e funcionários de saúde infetados", disse Li Bin, vice-diretor da Comissão Nacional de Saúde da China, em conferência de imprensa.

"As evidências demonstram que a doença foi transmitida por via respiratória e existe a possibilidade de uma mutação do vírus", detalhou.

Os primeiros casos do vírus “2019 — nCoV” apareceram em meados de dezembro na cidade chinesa de Wuhan, capital da província central de Hubei, quando começaram a chegar aos hospitais pessoas com uma pneumonia viral.

Em todos os casos, os doentes trabalhavam ou visitavam com frequência o mercado de marisco e carnes de Wuhan. As autoridades desconhecem ainda a origem exata da infeção, mas vários indícios apontam para animais infetados, que são comercializados vivos, a transmitir a doença aos seres humanos.

Os sintomas destes coronavírus são mais intensos do que uma gripe e incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias, incluindo falta de ar.

Além da China, foram já detetados casos em Macau, Tailândia, Taiwan, Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde anunciou a ativação dos dispositivos de saúde pública de prevenção, enquanto o Centro Europeu de Controlo de Doenças elevou para ‘moderado’ o risco de contágio na União Europeia, continuando a monitorizar a situação e a realizar avaliações rápidas de risco.

O Comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) optou por não declarar emergência de saúde pública internacional, receando que seja demasiado cedo.

Os casos alimentaram receios sobre uma potencial epidemia, semelhante à da pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong.

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