O plano de desconfinamento para Inglaterra apresentado pelo primeiro-ministro, Boris Johnson, no Parlamento prevê quatro grandes etapas com cinco semanas de intervalo, começando com a reabertura das escolas em 8 de março.

O roteiro, garantiu, é baseado em “dados, não datas”, com o objetivo de "guiar cautelosamente, mas irreversivelmente” o país para o fim do confinamento decretado em janeiro.

Assim, a primeira etapa começa com o regresso às aulas de escolas e universidades dentro de duas semanas, a 8 de março, data em que também vão passar a ser permitidos encontros sociais entre duas pessoas ao ar livre.

Atualmente, as regras permitem apenas o convívio com uma pessoa de fora do agregado familiar apenas para fazer exercício e a ordem mantém-se para as pessoas trabalharem de casa e minimizarem as saídas para limitar a transmissão do vírus.

A segunda etapa chega a 12 de abril, lojas, cabeleireiros, bibliotecas e ginásios vão poder abrir, e bares e restaurantes vão poder servir em esplanadas, e a 17 de maio serão autorizadas cinemas, teatros, salas de teatro e concertos e eventos com até 30 pessoas.

A quarta e última etapa está prevista para 21 de junho, quando o Governo espera remover as restrições de contacto social, permitindo a reabertura de discotecas e grandes eventos públicos, como festivais.

Boris Johnson determinou quatro critérios para continuar a aliviar as restrições, nomeadamente que o plano de vacinação continue sem problemas, que se verifiquem sinais de redução das hospitalizações, mortes e número de casos e que não surja uma nova variante que seja resistente às vacinas.

Resultados preliminares de um estudo pelas autoridades de Saúde públicas feito em Inglaterra mostram que a vacina da Pfizer reduziu as hospitalizações em 65%, mas os resultados, embora positivos, ainda não são conclusivos em relação à vacina da AstraZeneca.

Na Escócia, um estudo semelhante mostra que vacinas da Pfizer e AstraZeneca reduzem o risco de internamento hospitalar devido ao vírus em até 85% e 94%, respetivamente.

“O fim está verdadeiramente à vista e um ano miserável dará lugar a uma primavera e um verão que serão muito diferentes e incomparavelmente melhores do que aquilo que vemos hoje à nossa volta”, prometeu o primeiro-ministro.

O plano foi bem recebido pelo Partido Trabalhista, principal partido da oposição, mas sindicatos de professores criticaram a abordagem, defendendo um regresso às aulas faseado, como vai ser feito na Escócia e País de Gales, e prioridade para os professores na segunda fase do programa de vacinação.

Devido à regionalização dos poderes, as regras são diferentes na Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, e determinadas pelos Governos autónomos.

Por outro lado, um grupo de deputados do Partido Conservador liderados por Mark Harper urgiu o primeiro-ministro a levantar o confinamento na totalidade no final de abril, quando se espera que todos os maiores de 50 anos e ou pessoas com morbilidades associadas estejam vacinadas.

O Reino Unido é um dos países mais avançados do mundo em termos de vacinação, tendo administrado uma primeira dose a mais de 17,7 milhões de pessoas, cerca de um terço da população adulta no país.

Porém, tem também um dos balanços mais pesados em termos de mortalidade, 120.757 confirmadas desde o início da pandemia covid-19, o mais alto na Europa e o quinto a nível mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, Índia, Brasil e México.

Reino Unido proíbe viagens ao estrangeiro pelo menos até 17 de maio

A proibição de viagens ao estrangeiro e restrições à entrada no Reino Unido devido a covid-19 vão continuar pelo menos até 17 de maio, enquanto o Governo britânico avalia medidas como a introdução de um certificado de vacinação.

Boris Johnson disse hoje no Parlamento que a decisão sobre as viagens internacionais vai depender de um estudo que terá de ser concluído até 12 de abril, “para que as pessoas possam fazer planos para o verão”.

No entanto, o plano oficial, entretanto publicado, diz que as viagens ao estrangeiro, atualmente proibidas sem uma justificação válida, não serão reabertas antes de 17 de maio.

"No curto prazo, o Governo vai continuar a proteger o progresso da vacinação e a mitigar o risco representado por variantes importadas”, refere o documento.

A decisão sobre quando as viagens internacionais podem ser retomadas vai “depender do quadro epidemiológico internacional e nacional, da prevalência e localização de quaisquer variantes preocupantes, do progresso da distribuição de vacinas aqui e no estrangeiro, e o que mais o Governo aprender sobre a eficácia das vacinas sobre as variantes e o impacto na transmissão, hospitalização e mortes”, especifica.

Além de ser proibido fazer férias ou viajar sem um motivo válido para o estrangeiro, todas as pessoas que chegam ao Reino Unido são obrigadas a apresentar um teste ao novo coronavirus com resultado negativo feito até 72 horas antes do embarque e a cumprir uma quarentena de 10 dias à chegada.

Portugal e outros 32 outros países, atualmente numa “lista vermelha” de países de risco agravado de transmissão de variantes do coronavírus, nomeadamente do Brasil e África do Sul, pelo que todos os viajantes têm de cumprir a quarentena num hotel designado pelas autoridades a um custo de 1.750 libras (2.025 euros) por pessoa.

Durante a quarentena, as pessoas são testadas no segundo e oitavo dia e, se o diagnóstico for positivo, têm de prolongar o período em isolamento.

O Governo britânico disse querer trabalhar com a indústria para "aliviar as restrições às viagens internacionais de forma gradual e sustentável”, mas diz que pretende continuar a gerir o risco através de testes e quarentena.

"A vacinação pode oferecer um caminho para esse retorno seguro e sustentável”, e o Governo admite "tentar introduzir um sistema que permita a indivíduos vacinados viajarem internacionalmente com maior liberdade".

No entanto, também refere que "qualquer sistema desse tipo levará tempo a ser implementado” e que vai depender dos estudos sobre a eficácia das vacinas e a imunização ser generalizada para a medida não penalizar aqueles que não tenham acesso às vacinas.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, revelou hoje um plano de quatro etapas para levantar o confinamento em vigor em Inglaterra, que começa em 8 de março com o regresso às aulas presenciais e pretende alcançar em 21 de junho o fim de todas as restrições a contactos sociais e atividades económicas.

O Reino Unido registou nas últimas 24 horas mais 178 mortes, elevando o total desde o início da pandemia covid-19 para 120.757 óbitos, o balanço mais alto na Europa e o quinto a nível mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, Índia, Brasil e México.

No domingo tinham sido notificadas 215 mortes e 9.834 casos.

A média diária dos últimos sete dias é de 480 mortes e 11.187 infeções.

No total, morreram no Reino Unido 120.757 pessoas entre 4.126.150 casos de contágio confirmados desde o início da pandemia covid-19.

Entre 16 e 22 de fevereiro houve uma redução de 26,9% de mortes de covid-19 e de 11,1% no número de pessoas com um resultado de teste positivo confirmado em relação aos sete dias anteriores.

Na quinta-feira, data dos dados mais recentes disponíveis, estavam hospitalizadas 18.462 pessoas, o mais baixo desde meados de dezembro.

Até hoje, 17.723.840 pessoas receberam a primeira dose de uma vacina contra o novo coronavírus, das quais 624.325 receberam uma segunda dose, a qual é administrada com um intervalo de até 12 semanas.

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