São já 138 os países que optaram por encerrar os estabelecimentos de ensino para conter a propagação do novo coronavírus.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o número de estudantes afetados por esta medida excecional quase que quadruplicou nos últimos dez dias e, atualmente, mais de três em cada quatro crianças e jovens no mundo estão a ter aulas à distância.

O encerramento dos estabelecimentos de ensino também obrigou quase 60,2 milhões de professores em todo o mundo a trocarem as salas de aula pelas suas casas e a adotarem métodos de ensino diferentes, de acordo com os mesmos dados.

Face à nova realidade, a UNESCO reuniu na segunda-feira com os ministros que tutelam o setor da educação de alguns países para discutir os principais desafios e as medidas que os vários governos estão a adotar para apoiar os professores, pais e estudantes que se estão agora a adaptar ao ensino em casa.

“Mais do que nunca, os alunos precisam de ser acompanhados, tanto académica como emocionalmente”, sublinhou durante a reunião Stefania Giannini, diretora-geral adjunta para a Educação da UNESCO, considerando que se numa fase inicial o foco esteve sobre o desenvolvimento de soluções de ensino à distância, a atenção deve dirigir-se agora para o apoio aos professores e às famílias.

No encontro ‘online’, que contou com a participação dos ministros da Educação da Costa Rica, Croácia, Egito, França, Irão, Itália, Japão, México, Nigéria, Peru e Senegal, a diretora-geral da UNESCO, anunciou a criação de uma coligação global para a Educação.

“A responsabilidade para agir é coletiva”, sublinhou Audrey Azoulay, explicando que a nova coligação pretende mobilizar a experiência de vários parceiros e fortalecer o apoio às respostas nacionais no setor da educação durante pandemia.

Entre os países que participaram na reunião com a UNESCO, o recurso às redes sociais para substituir as salas de aula é generalizado, bem como a disponibilização de cursos e de conteúdos educativos através dos canais de televisão públicos, como forma de minimizar as desigualdades no acesso à Internet.

Alguns países, como a França e o Egito, alertaram também para algumas dificuldades em relação às ferramentas de ensino ‘online’, com o ministro da Educação do Egito, Tarek Shawki, a chamar a atenção para o grande número de materiais e conteúdos não acreditados, e o ministro francês Jean-Michel Blanquer a sublinhar a necessidade de regular os ‘sites’ de aprendizagem digital, no âmbito da proteção de dados dos jovens e das crianças.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 386 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 17.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 6.077 mortos em 63.927 casos. Segundo as autoridades italianas, 7.024 dos infetados já estão curados.

A China, sem contar com os territórios de Hong Kong e Macau, onde a epidemia surgiu no final de dezembro, conta com mais de 81.000 casos, tendo sido registados 3.277 mortes.

Os países mais afetados a seguir à Itália e à China são a Espanha, com 2.696 mortos em 39.673 infeções, o Irão, com 1.934 mortes num total de 24.811 casos, a França, com 860 mortes (19.856 casos), e os Estados Unidos, com 499 mortes (41.511 casos).

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Em Portugal, há 30 mortes, mais sete do que na véspera, e 2.362 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, que regista mais 302 casos do que na segunda-feira.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23:59 de 02 de abril.

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