“Esta situação é inaceitável. Estão cerca de 30 ambulâncias à porta do hospital. Esta fila é para doentes covid ou suspeita de covid. Isto já ultrapassa aquilo que é aceitável em termos de dignidade. Um doente estar oito horas deitado numa maca não é fácil”, disse.

Carlos Silva disse também à Lusa que a medida anunciada na quinta-feira pelo presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte de que será feita a partir de hoje uma pré-triagem aos doentes vai minimizar o número de ambulâncias à porta do hospital.

“É minimamente aceitável e irá minimizar a espera e o número de ambulâncias no local, mas vamos continuar com o mesmo problema: o envio das ambulâncias em excesso. Por isso, consideramos que os protocolos dos meios de emergência médica devem ser alterados”, salientou.

Na quinta-feira à noite em declarações aos jornalistas, o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, Daniel Ferro, anunciou que a partir de hoje será feita uma pré-triagem aos doentes para tentar evitar tantas ambulâncias paradas à porta do hospital.

“A partir de amanhã [hoje] teremos aqui uma equipa do INEM, acompanhada por uma equipa da Proteção Civil, que vai fazer uma pré-triagem das situações e se for uma situação que realmente justifique o acesso aos cuidados do hospital, esse acesso vai ser feito com mais tranquilidade. Foi já combinado, com o ACES de Sete Rios e de Odivelas, que vão receber todas aquelas situações para as quais têm cuidados de igual qualidade", revelou Daniel Ferro.

Hoje, em declarações à Lusa, o vice-presidente do SPEH disse que a medida vai ajudar, mas defende a necessidade de uma revisão dos protocolos e modelos de atendimento, triagem e encaminhamento de doentes para evitar a atual sobrecarga das urgências dos hospitais

“Os protocolos têm de ser revistos e alterados os critérios de acionamento dos meios de socorro. Ligar para o CODU ou INEM para pedir ambulância porque alguém tem uma dor no joelho há um mês por exemplo não pode acontecer. É inaceitável que os doentes estejam horas dentro de uma ambulância a porta do hospital”, disse.

Na quinta-feira à noite, o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte voltou também a apelar às pessoas para se desloquem à urgência quem de facto precisa.

"Quando os sintomas não existem ou são leves, não deve ser utilizada a urgência. As ambulâncias, em muitas das situações, estão a ser usadas como transporte. Os centros de saúde têm, neste momento, a possibilidade de fazer o diagnóstico que é feito aqui com igual qualidade", disse.

Na quarta-feira, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte apelou à população para apenas recorrer de ambulância ao serviço de urgência dedicado ao SARS-CoV-2 do Santa Maria "em situações justificadas”, já que a unidade tem registado “picos de afluência”.

Em comunicado, este centro hospitalar dava conta de que este serviço de urgência do Hospital de Santa Maria “tem registado picos de afluência”, que “quase metade dos utentes são transportadores de ambulância, mas destes só 15% apresentam situações que justificam o recurso a uma urgência hospitalar”.

Os restantes 85% “são triados com prioridade verde ou azul, representando uma sobrecarga evitável”.

Por isso, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte apelou à população “que só recorra ao transporte de ambulância em situações justificadas e se dirija ao centro de saúde nas situações de ausência ou sintomas ligeiros”.

Deste modo, será possível garantir que “os recursos hospitalares, em situação de grande sobrecarga, se concentrem no tratamento dos doentes com situações de maior gravidade”.

Apesar da “grande afluência e sobrecarga”, os profissionais do Hospital de Santa Maria “garantem a observação dos doentes”, acrescenta a nota.

A urgência dedicada a doentes infetados com o novo coronavírus também está em processo de ampliação de “33 para 51 postos de atendimento em simultâneo”, que vai estar “concluída no próximo fim de semana”.

Em Portugal, morreram 11.608 pessoas dos 685.383 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.176.000 mortos resultantes de mais de 100 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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