O primeiro apelo foi feito logo no início de janeiro e junta a Associação para a Promoção dos Direitos das Crianças e Jovens - AjudAjudar, a Plataforma PAJE – Plataforma de Apoio a Jovens (Ex)Acolhidos e um grupo de supervisores de Casas de Acolhimento Residencial de Crianças e Jovens, tendo ficado sem resposta.

Agora, tendo em conta que a situação destes cuidadores não foi resolvida e entrou em vigor um novo estado de emergência, fazem um novo apelo às autoridades de saúde, desde a ministra da Saúde, Marta Temido, diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, coordenador do plano de vacinação, Francisco Ramos, mas também ao Instituto de Segurança Social.

À Lusa, a presidente da AjudAjudar explicou que apesar de as crianças não serem um potencial grupo de risco e de a doença não assumir proporções graves, “as crianças em acolhimento residencial têm vindo a ter a sua liberdade coartada, têm vindo a sofrer medidas de confinamento muito mais exigentes do que a população em geral e têm também estado a sofrer com as medidas impostas aos cuidadores dentro da própria casa”.

“Ou seja, nós não nos podemos esquecer que uma casa de acolhimento residencial é antes de mais uma casa em que aqueles jovens e crianças vivem desde que se levantam até que se deitam e os cuidadores são os adultos de referência destas crianças. Elas precisam do contacto com os cuidadores, que no fundo substituem a sua família”, explicou Sónia Rodrigues, acrescentando que estão em causa cerca de 6.200 crianças.

Neste momento, segundo a responsável, a realidade é a de cuidadores a trabalhar em espelho para não se encontrarem e para que possa haver continuamente adultos nas casas a tomar conta dos menores, e de cuidadores “permanentemente preocupados com as medidas de distanciamento” – “porque eles saem e também vão ter com as suas famílias” – para que não sejam infetados nem portadores da doença.

Sónia Rodrigues apontou que nestas casas vivem crianças que já passaram por muitas situações traumáticas que precisam “desta relação próximas com os cuidadores para sararem essas feridas” e sublinhou que quando os cuidadores não podem ter esta relação fica mais difícil fazer o seu trabalho sem alterar a dinâmica que já existia.

“É uma questão de justiça porque em todas as outras coisas estas crianças foram equiparadas ao longo do tempo a lares de idosos, quando não havia razão para isso. Estas crianças foram mantidas muito mais tempo do que nós confinados na primeira vaga e estas crianças viram as visitas à família proibida durante longos períodos de tempo”, destacou.

A responsável sublinhou que a vacinação não iria amenizar as medidas de proteção, mas poderia servir, num primeiro momento, para acabar com o trabalho em espelho destas equipas e fazer com que fosse possível os cuidadores manterem-se sempre com as mesmas crianças, de modo a não prejudicar e fragilizar ainda mais a relação de confiança entre ambos.

Por outro lado, no comunicado enviado às redações, as várias entidades sublinham que a percentagem de profissionais – que estimam ser à volta de 4 mil pessoas – “é bastante reduzida face ao total da população abrangida na primeira fase, mas cada profissional vacinado contribui para o bem-estar direto de três crianças, devendo ser considerado este efeito multiplicador”.

Contactado pela agência Lusa, o coordenador da ‘taskforce’ do plano de vacinação da covid-19, Francisco Ramos, disse que esta questão será resolvida logo que possível, mas recusou-se a avançar uma data.

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