Na Direção-Geral da Saúde, em Lisboa, Graça Freitas defendeu a robustez dos sistemas de saúde nacionais e indicou que a capacidade do país "de detetar casos e de os transportar em segurança para um hospital de referência existe".

"O sistema de saúde português, a Direção-Geral da Saúde e o dispositivo de saúde pública que Portugal tem, que é bastante robusto, ativou novamente e está a atualizar os seus planos de contingência, as suas medidas de preparação e de resposta e as suas orientações”, avançou a responsável.

Graça Freitas referiu como os dois novos casos suspeitos que foram revelados ontem revelaram-se negativos, mas que a deteção desses casos também "começa com o cidadão", dada a "grande capacidade que os cidadãos têm de transmitir a sua história e o seu percurso".

É assim que, como continuou a Diretora-Geral da Saúde, os médicos "sinalizam estes casos", ao fazer "história clínica e o percurso dos últimos 14 dias" destes cidadãos. "Uma vez sinalizados, são validados e depois são internados”, completou Graça Freitas.

“Este é o primeiro nível de contenção e um país como o nosso, capaz de fazer este nível, tem um nível de preparação elevado", defendeu Graça Freitas.

Hoje, de acordo com a Diretora-Geral da Saúde, "houve uma reunião da comissão coordenadora de emergência em que as administrações regionais de saúde, as administrações das regiões autónomas, o INEM, o INSA, o Infarmed e outros, estiveram aqui para dizer o seu nível de prontidão.”

Graça Freitas recordou também que Portugal se encontra "em fase de contenção" e que "para a Europa e para o Mundo, só saíram casos exportados da China e, portanto, até à data, estes casos deram pouquíssimas cadeias de transmissão secundárias, sempre limitadas, e na maior parte dos países não originaram outros casos.”

Ainda assim, no pior dos cenários, de um caso positivo de infeção em Portugal, "o que interessa é ter esta capacidade de detetar, isolar, tratar e depois rastrear os contactos destas pessoas”, defendeu a Diretora-Geral da Saúde.

Até agora já foram validados seis casos suspeitos em Portugal, mas nenhum deu positivo.

Entretanto, estão em isolamento profilático no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, as 20 pessoas repatriadas da China há uma semana.

Deste grupo fazem parte 18 portugueses e duas brasileiras, que chegaram em 2 de fevereiro ao aeroporto militar de Figo Maduro, em Lisboa. Todos estiveram na cidade chinesa de Wuhan, capital da província de Hubei, epicentro do surto.

A respeito deste grupo, Graça Freitas recordou que "estas pessoas terminarão o seu isolamento profilático na transição entre sábado e domingo próximos” e que durante o fim-de-semana irão para casa.

No entanto, antes de abandonarem o isolamento, no dia 14, sexta-feira, os cidadãos vão repetir os testes, consoante acordado tanto por eles como pelo Instituto Nacional Ricardo Jorge. "À tarde vamos ter os resultados dos testes”, disse Graça Freitas, que espera serem "negativos”, já que os cidadãos se mantém “assintomáticos”.

Cientistas, investigadores e peritos de saúde pública estão a partir de hoje em Genebra (Suíça) num fórum de dois dias para debater formas de controlar e lidar com o surto do novo coronavírus detetado na China.

Do fórum a ser reunido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) saíram hoje duas novidades: a organização estima que uma vacina contra o novo coronavírus deve demorar cerca de um ano e meio a ser desenvolvida e este passa a ter o nome oficial de “Covid-19”.

A OMS decidiu usar um nome que seja pronunciável e que não remeta para uma localização geográfica específica, um animal ou grupo de pessoas para evitar estigmatizações, segundo disse em conferência de imprensa o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O nome nasce do acrónimo em inglês da expressão “doença por corona vírus” (‘corona virus disease’).

Estas são as principais recomendações das autoridades de saúde à população

O surto do novo coronavírus detetado na China tem levado as autoridades de saúde a fazer recomendações genéricas à população para reduzir o risco de exposição e de transmissão da doença. Eis algumas das principais recomendações à população pela Organização Mundial da Saúde e pela Direção-geral da Saúde portuguesa:

- Lavagem frequente das mãos com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;

- Ao tossir ou espirrar, fazê-lo não para as mãos, mas para o cotovelo ou para um lenço descartável que deve ser deitado fora de imediato;

- Evitar contacto próximo com quem tem febre ou tosse;

- Evitar contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;

- Deve ser evitado o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;

- Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.

Combater a desinformação

A Organização Mundial da Saúde tem tentado também divulgar factos para combater a desinformação e mitos ligados ao novo coronavírus. Eis algumas dessas informações:

- É seguro receber cartas ou encomendas vindas da China, porque as análises feitas demonstram que o coronavírus não sobrevive muito tempo em objetos como envelopes ou pacotes;

- Não há qualquer indicação de que animais de estimação, como cães e gatos, possam ser infetados ou portadores do novo coronavírus. Mas deve lavar-se sempre as mãos após contacto direto com animais domésticos, porque protege contra outro tipo de doenças ou bactérias;

- Não há também prova científica de que o consumo de alho ajude a proteger contra o novo coronavírus;

- Usar e colocar óleo de sésamo não mata o novo coronavírus;

- As atuais vacinas disponíveis no mercado contra a pneumonia não previnem contra o coronavírus 2019-nCoV. Este novo vírus precisa de uma nova vacina que ainda não foi desenvolvida;

- Os antibióticos não servem para proteger ou tratar as infeções provocadas pelo coronavírus. Os antibióticos são usados para infeções bacterianas e não virais. Contudo, os doentes hospitalizados infetados com coronavírus poderão ter de receber antibióticos porque pode estar presente também uma infeção bacteriana;

- Pessoas de todas as idades podem ser afetadas pelo coronavírus. Contudo, pessoas mais velhas ou com doenças crónicas (como asma ou diabetes) parecem ser mais vulneráveis a ter doença grave quando infetadas.

Onde chegou o coronavírus?

Fora da China continental, incluindo as regiões autónomas de Hong Kong e Macau, foram confirmados mais de 460 casos de contágio em 30 países e territórios. Até o momento, não há registro de casos na América Latina, nem na África.

CHINA

Um total de 42.600 pessoas foram infectadas na China continental, e pelo menos 1.016 morreram, a maioria na província de Hubei, local do surgimento da epidemia, de onde Wuhan é a capital.

Uma pessoa morreu em Hong Kong, onde foram detetados, ao menos 49 casos.

Em Macau foram registados dez casos.

ÁSIA-PACÍFICO

Austrália: 15 casos

Camboja: 1 caso

Coreia do Sul: 28 casos

Filipinas: 3 casos, entre eles um morto em Manila

Hong Kong: 36, entre eles um morto

Índia: 3 casos

Japão: 163 casos, 135 deles à bordo do cruzeiro "Diamond Princess" (um deles, argentino) em quarentena no litoral de Yokohama. Outro caso foi confirmado à bordo do cruzeiro "Westerdam", que se dirigia ao Japão.

Macau: 10 casos

Malásia: 18 casos

Nepal: 1 caso

Singapura: 45 casos

Sri Lanka: 1 caso

Tailândia: 32 casos

Taiwan: 18 casos

Vietname: 14 casos

AMÉRICA DO NORTE

Canadá: 7 casos

Estados Unidos: 12 casos. Um americano, de origem chinesa, faleceu por coronavírus em Wuhan.

EUROPA

Alemanha: 14 casos

Bélgica: 1 caso

Espanha: 2 casos

Finlândia: 1 caso

França: 11 casos

Itália: 3 casos

Suécia: 1 caso

Reino Unido: 8 casos

Rússia: 2 casos

MÉDIO ORIENTE

Emirados Árabes Unidos: 8 casos

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