Ao dramaturgo tinha sido diagnosticado um cancro de pulmão em 2001, devido ao qual foi operado duas vezes, lembra o obituário do Los Angeles Times.

McNally teve três peças levadas ao palco em Portugal, segundo a base de dados do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa: “O próximo”, encenada pela Seiva Trupe em 1977, “The Lisbon Traviata”, pelo Teatro Experimental de Cascais em 1997, e “Master Class”, por Filipe La Féria, no Politeama, em 1998.

A obra de McNally “explora as relações humanas – frequentemente entre homens homossexuais – e é tipicamente caracterizada por humor negro”, salienta a Enciclopédia Britânica, referindo que o autor trabalhou como jornalista e tutor para os filhos do escritor John Steinbeck.

A agência Associated Press lembra trabalhos como “Lips Together, Teeth Apart”, que classifica como uma “peça marcante sobre a Sida”, tema ao qual McNally regressou em diversas ocasiões, doença que matou o seu companheiro de longa data, Gary Bonasorte, em 2000.

O jornal de Los Angeles salienta que, ao contrário de muitos dramaturgos norte-americanos do século XX, a obra de McNally foi evoluindo ao longo da sua carreira, levando à criação dos seus trabalhos mais premiados a partir da meia-idade.

“Gosto de trabalhar com pessoas que são muito mais talentosas e inteligentes do que eu, que cometem menos erros do que eu e que podem chamar-me à atenção quando faço algo preguiçoso. Muita gente para de aprender na vida e é essa a sua tragédia”, afirmou, numa entrevista em 2013.

Vencedor de prémios Tony para melhor peça em 1995 e 1996 por “Love! Valour! Compassion!” e “Master Class”, respetivamente, McNally conquistou dois Tony também com “Kiss of the Spider Woman” e “Ragtime”, tendo ainda sido homenageado com um prémio de carreira no ano passado.

Entre outros créditos, McNally assinou “The Full Monty”, levado ao cinema em 1997 no Reino Unido, por Peter Cattaneo, e “Corpus Christi”, que retrata Jesus Cristo como homossexual e gerou controvérsia quando o Manhattan Theater Club, em Nova Iorque, admitiu encenar o texto, tendo recebido por isso ameaças de morte.

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