"Desde a primeira vaga da pandemia causada pelo novo coronavírus, o Departamento de Medicina Crítica e toda a instituição têm feito um trabalho de casa notável. Conseguimos aumentar uma Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) que tinha oito camas, e profissionais preparados para este número, para as 35 camas atuais", afirmou à agência Lusa José Caldeiro.

O diretor do Departamento de Medicina Crítica do hospital de Santa Luzia, integrado na Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), explicou que aquela capacidade foi criada através da "adaptação de uma unidade de cuidados intermédios”, transformando-a “em UCI".

"Conseguimos parar as cirurgias programadas e transformar o bloco operatório numa UCI não covid. Para além disso, temos feito formação para as equipas médicas e de enfermagem para que os profissionais que não tinham experiência em cuidados intensivos possam, neste momento, assumir, com segurança, o tratamento destes doentes", especificou.

"Foi um trabalho notável a todos os níveis. De recursos humanos, formação e aquisição de equipamentos para nos prepararmos para esta segunda vaga. Já prevíamos, há três, quatro meses, que poderia acontecer", reforçou.

Do total das 35 camas criadas, 25 estão destinadas a doentes covid-19 e 10 a outros doentes que necessitem de cuidados de medicina crítica.

"Neste momento, das 25 camas para tratamento de doentes covid-19, temos 21 ocupadas. Já das 10 camas para doentes não covid-19, temos sete ocupadas", referiu José Caldeiro.

Apesar da capacidade não estar esgotada, José Caldeiro destacou a imprevisibilidade de evolução da doença e alertou para o "aumento significativo, na última semana, do número de doentes na UCI".

"Na última semana têm entrado no serviço uma média de dois a três doentes por dia", frisou.

O responsável realçou o esforço feito pela administração da ULSAM na aquisição de equipamento, sendo que o hospital de Santa Luzia dispõe atualmente de "mais de 40 ventiladores, invasivos e não invasivos, oxigenadores de alto fluxo e vários mecanismos que permitem controlar estes doentes, dependendo da gravidade dos casos".

José Caldeiro adiantou que a ULSAM está a tentar reforçar o número de profissionais de saúde, mas admitiu que, "neste momento, a contratação de intensivistas não é fácil por não existirem profissionais disponíveis no mercado".

"Nesta altura temos 11 intensivistas, com reforço de médicos de outras especialidades, mas precisaríamos no mínimo de mais 11 médicos com experiência em cuidados intensivos para enfrentarmos esta fase. Tem havido contratação de enfermeiros, mas eram necessários, só para o departamento de medicina crítica, mais 10 destes profissionais", observou.

José Caldeiro reconheceu "algum desgaste dos profissionais de saúde, motivado sobretudo pela utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI)", mas garantiu ter "uma equipa sólida e com moral".

"Temos tido um ou outro caso de infeção, por contágio fora do hospital, mas temos conseguido gerir os casos", referiu.

A ULSAM é constituída por dois hospitais: o de Santa Luzia, em Viana do Castelo, e o Conde de Bertiandos, em Ponte de Lima.

Integra ainda 12 centros de saúde, uma unidade de saúde pública e duas de convalescença, e serve uma população residente superior a 244 mil pessoas dos dez concelhos do distrito de Viana do Castelo, e algumas populações vizinhas do distrito de Braga.

Em todas aquelas estruturas trabalham mais de 2.500 profissionais, entre eles, cerca de 500 médicos e mais de 800 enfermeiros.

Em Portugal, morreram 4.127 pessoas dos 274.011 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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