“É necessário aplicar derrogatórias amplas e pragmáticas por motivos humanitários em relação a essas sanções e acordar autorizações rápidas e flexíveis para obter abastecimentos e equipamentos médicos essenciais”, afirmou a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, num comunicado.

E defendeu na mesma nota informativa: “Neste período crucial, tanto por razões de saúde pública mundial como para apoiar os direitos e as vidas de milhões de pessoas nestes países, as sanções setoriais devem ser atenuadas ou suspensas. Neste contexto de pandemia mundial, dificultar os esforços médicos num país aumenta os riscos para todos nós”.

Michelle Bachelet insistiu no caso do Irão, um dos países mais afetados pelo novo coronavírus juntamente com a Itália, a China e a Espanha, contabilizando, desde o início desta crise, 1.934 mortos e um total de 24.811 infetados.

Todas as 31 províncias do Irão foram afetadas pela covi-19.

Segundo a Alta Comissária, as informações disponíveis sobre a situação atual no Irão enfatizam o impacto das sanções no acesso a medicamentos e a equipamentos médicos essenciais, como ventiladores e roupa de proteção para os profissionais de saúde.

Até à data, e de acordo com Michelle Bachelet, mais de 50 profissionais de saúde iranianos morreram desde que os primeiros casos de infeção pelo novo coronavírus foram detetados naquele país, há cerca de cinco semanas.

A representante também se manifestou preocupada com a potencial propagação do vírus para os países vizinhos do Irão, “o que afetará os sistemas de saúde de países como o Afeganistão e o Paquistão”.

A economia da República Islâmica tem sido fortemente penalizada desde que os Estados Unidos decidiram retirar-se unilateralmente, em maio de 2018, do acordo internacional sobre o dossiê nuclear iraniano (firmado em 2015) e restabelecer sanções económicas ao Irão.

Para a Alta Comissária, as sanções internacionais em vigor também podem dificultar em muito os esforços médicos em Cuba, Coreia do Norte, Venezuela e no Zimbabué.

“A maioria destes Estados possui sistemas de saúde frágeis ou instáveis. É essencial realizar progressos em matéria dos Direitos Humanos para melhorar estes sistemas, mas os obstáculos à importação de itens médicos essenciais, incluindo o respeito excessivo das sanções por parte dos bancos, irão causar danos permanentes nas comunidades vulneráveis”, frisou Bachelet.

“As populações destes países não são de forma alguma responsáveis pelas políticas visadas por estas sanções e vivem, em diversos níveis, numa situação precária há algum tempo”, concluiu a representante.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 386 mil pessoas em todo o mundo, das quais cerca de 17.000 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia, cujo epicentro é atualmente a Europa.

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