“O cenário que neste momento temos é um cenário leve. Temos seis pessoas doentes, aparentemente estão todas estabilizadas, são pessoas relativamente novas e julgo que até este momento as coisas vão correr bem com estas pessoas. Agora, é fundamental que nós estejamos preparados para um cenário que eventualmente seja mais grave”, considerou Miguel Guimarães.

Neste sentido, acrescentou: “Prefiro que a gente erre por estar a exagerar nas medidas para tentar que não haja de facto uma epidemia maior do que deixar as coisas a descoberto. Mais vale aqui exagerar, fazer as coisas por excesso do que fazer as coisas por defeito”.

O bastonário da Ordem dos Médicos respondia às questões dos jornalistas hoje em Viseu, à margem de uma reunião de trabalho com médicos de Medicina Interna do Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV), depois de haver relatos de alguns hospitais de falta de material de segurança dos profissionais de saúde.

Depois de na segunda-feira a Ordem ter apresentado um “conjunto de oito recomendações absolutamente essenciais” para melhorar o combate ao novo coronavírus, Miguel Guimarães disse hoje que “algumas delas, aparentemente, estão em andamento”, como “uma linha de financiamento própria para os hospitais para que tenham autonomia de tomarem decisões”.

“É fundamental que os hospitais possam contratar de um momento para o outro um profissional de saúde, para comprar reagentes, para os testes próprios que é necessário fazer, o material de proteção dos profissionais”, defendeu.

No seu entender, “há um conjunto de medidas que são importantes” e apesar de reconhecer que “elas estarão a ser feitas”, recomendou que, “neste momento é o momento de acelerar” nas medidas a tomar.

“É preciso melhorar a capacidade de resposta. (…) Sei que tem sido falada muitas vezes a questão da linha Saúde 24, sei também que o Ministério da Saúde e a diretora-geral da Saúde estão a tentar melhorar quer esta linha quer a linha de apoio ao médico”, considerou.

O bastonário acrescentou que “o combate depende de cada uma das pessoas individualmente” e, neste sentido, defendeu que “os cidadãos todos juntos conseguem derrotar o vírus com facilidade”.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou cerca de 3.200 mortos e infetou mais de 94 mil pessoas em 80 países, incluindo seis em Portugal.

Das pessoas infetadas, cerca de 50 mil recuperaram.

Além de 2.983 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas.

Um português tripulante de um navio de cruzeiros está hospitalizado no Japão com confirmação de infeção.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.

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