“A tendência é crescente” e “sobrepõe-se perfeitamente com a linha das primeiras semanas do Reino Unido e agora recentemente” na Irlanda, o que “era expectável”, afirmou o investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) na reunião que decorreu hoje no Infarmed sobre a situação epidemiológica da covid-19, que reuniu especialistas e políticos.

Para João Paulo Gomes, esta situação não é surpreendente, explicando que “Portugal é um dos principais destinos turísticos do Reino Unido” e, por isso, “é normal” o que se está a observar.

“Se me perguntarem qual o peso relativo desta variante do Reino Unido no panorama atual dos números atuais eu diria que ainda é modesto”, mas, alertou, “temos que ter cautela naturalmente porque a linha de tendência está a acompanhar a linha do Reino Unido e da Irlanda e, portanto, temos obviamente que a parar para não irmos parar ao mesmo cenário”.

O coordenador do estudo sobre diversidade genética do SARS-CoV-2 em Portugal citou dados dos investigadores ingleses que apontam para uma evolução ao longo das últimas semanas da nova variante, que tem “dominado e tem aumentado a sua frequência relativa”.

João Paulo Gomes explicou que muitos dos laboratórios ingleses usam como diagnóstico um teste que deteta o vírus simultaneamente através da deteção de três porções do vírus, uma delas é “chamado gene S”.

Os ingleses verificaram que parece que esta variante está associada a uma maior carga viral, o significa um aumento da carga viral até 32 vezes.

Isto quer dizer que “é normal que, com a mesma proximidade” se possa transmitir mais facilmente a infeção a quem está à frente da pessoa infetada, explicou.

Os ingleses fizeram uma análise por faixas etárias, tendo verificado que a dos 10/19 parecia particularmente mais afetada não só pelo vírus em geral, mas por esta variante em particular.

Contudo, concluíram que estes resultados “eram pouco significativos” porque foram obtidos numa altura de confinamento em que “as escolas não estavam confinadas e naturalmente o vírus teria mais probabilidade de propagação na idade escolar”.

Em Portugal, O INSA e o Instituto Gulbenkian de Ciência estão a tentar sequenciar os vírus dos casos suspeitos que são enviados através dos aeroportos, mas também casos indicados pelas diversas redes do país.

“Estamos a fazer a sequenciação total do genoma, estamos a reportar esses casos e em tempo real indicamos à Direção-Geral de Saúde para que comece a proceder a um rastreio dos contactos e o bloqueio das cadeias de transmissão”, salientou.

Os investigadores têm pedido a alguns laboratórios nacionais que utilizam o “gene S” no seu teste de diagnóstico para ter acesso aos dados para uma análise preliminar.

Pediram ao laboratório Sinlab, que faz testes nos aeroportos, que facultaram os dados relativos a 06, 07 e 08 de janeiro.

Fizeram 1.674 testes, tendo registado 444 positivos à covid-19, dos quais 69 destes eram da variante do Reino Unido, o que corresponde a uma percentagem de 15,16%.

João Paulo Gomes ressalvou que estes dados não incluem pessoas que chegaram ao aeroporto, são casos na comunidade.

Também pediram dados à Unilab o laboratório do Porto, mas com serviços espalhados pelo país, que facultou os dados da evolução desta variante desde 01 de dezembro até segunda-feira e a “tendência é crescente”.

Na semana de 4 a 10 de janeiro, por exemplo, de 16 mil testes efetuados, 4.610 deram positivos, dos quais 371 casos (8%) configuravam potencialmente a presença da nova variante.

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