Esta segunda-feira, Portugal regista 1.330 mortos e 30.788 casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), responsável pela doença covid-19. São mais 165 casos, 273 recuperações e 14 óbitos.

Trata-se de uma taxa de letalidade de 4,32:%. Contam-se também menos cinco internados e menos seis internamentos em unidades de cuidados intensivos.

Apenas seis dos novos óbitos ocorreram nas últimas 24 horas. Os restantes "resultam da verificação dos certificados de óbito levada a cabo pela Direção-Geral da Saúde", disse António Lacerda Sales.

O secretário de Estado da Saúde lembrou que "desconfinar não é descontrair; normalizar não é desresponsabilizar. Temos o dever cívico de nos proteger e de proteger os outros. A nossa saúde continua a depender de todos".

Na sua intervenção inicial, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse que os certificados de óbitos eletrónicos emitidos pelo médico são feitos a pacientes suspeitos de covid-19, mas sem terem ainda um teste positivo

Graça Freitas explicou que há diferenças que podem ser verificadas após a chegada dos resultados aos testes feitos aos óbitos. Em comparação com os dados de domingo, em que se registavam 1.316 mortos, hoje constatou-se um aumento de óbitos de 1,1%.

"Os certificados de óbito em Portugal são eletrónico, e são emitidos sempre pelo médico. Nesta situação covid, pode acontecer o óbito e a pessoa ter sintomatologia compatível com covid, o médico registar como covid e, depois, nas horas seguintes, se chegarem os testes a dizer que afinal era negativo e que a causa seria outra, obviamente que esse óbito não é contabilizado", esclareceu a diretora-geral da Saúde.

"E o inverso também pode acontecer", acrescentou. "O médico pode ter apenas posto como suspeito e, quando vem o teste confirmatório, vamos lá e confirmamos".

Este processo justifica, então, o aumento de óbitos hoje, dos quais menos de metade ocorreram de facto nas últimas 24 horas. A diretora-geral da Saúde frisou que “pode haver pequenas diferenças” no número de óbitos novos em cada dia.

“Agora há muitos poucos casos de óbitos, não estranhem poder haver pequenas diferenças no dia-a-dia que se devem apenas à precisão do certificado de óbito”, sustentou.

Portugal já fez mais de 745 mil testes, em 87 laboratórios, entre públicos e privados. E continua a chegar ventiladores. Esta segunda-feira chegaram mais 60 equipamentos, vindos da China.

Segundo António Lacerda Sales, entre 01 a 23 maio foram feitos em média cerca de 13.700 testes por dia e, neste momento, há 87 laboratórios a fazer testes de diagnóstico à SARS-CoV-2, 37 dos quais no Serviço Nacional de Saúde, 26 nos privados e 24 em outros laboratórios que envolvem a academia, Exército e Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (Iniav).

No total de testes, 49,7% foram realizados nos laboratórios públicos, 40,2% em laboratórios privados e 15,1% em outros laboratórios, indicou.

Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus (30.788), os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) revelam que há mais 165 casos do que no domingo (30.623), representando uma subida de 0,5%.

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (744), seguida da região de Lisboa e Vale do Tejo (322), do Centro (233), do Algarve (15), dos Açores (15) e do Alentejo, que regista um óbito, adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de domingo, mantendo-se a Região Autónoma da Madeira sem registo de óbitos.

Os números foram hoje atualizados pelas autoridades de saúde no boletim epidemiológico.

Unidade da Sonae na Azambuja tem 121 infetados

Perto de 350 trabalhadores da Sonae, na Azambuja, já fizeram o teste à covid-19 e 121 testaram positivos, estando uma pessoa internada, avançou hoje a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

“Até à data foram realizados 346 testes [na Sonae na Azambuja], estão a ser feitos mais e destes o último dado que temos é que 121 destas pessoas estavam de facto positivas, sendo que trinta e poucas apresentam sintomas e apenas uma está internada, mas estável e bem”, disse Graça Freitas na conferência diária sobre a pandemia covid-19.

Segundo Graça Freitas, foram realizados testes noutras indústrias e noutras empresas da região, tendo sido detetados dois casos positivos numa dessas empresas e três noutra.

“Portanto, em relação à Azambuja a situação é esta, à medida que se fazem mais testes nos setores da Sonae afetados, que não são todos, encontram-se mais alguns casos positivos e neste momento são 121”, salientou.

Também têm sito feitos testes em várias obras na região de Lisboa e Vale do Tejo e “também têm sido encontrados alguns trabalhadores positivos”, tendo sido tomadas as medidas de saúde pública necessárias.

A diretora-geral da Saúde sublinhou que “a situação de Lisboa e Vale do Tejo está a ser acompanhada com muita atenção, quer no polo da Azambuja, quer nestes pequenos surtos em obras diversas com pessoas que vão de um lado para o outro”.

Dona Estefânia tem 14 crianças internadas

“O Hospital tem neste momento 14 crianças internadas. Três destas crianças vieram de outra região, do Alentejo, e uma criança é oriunda de um país dos PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa]”, adiantou Graça Freitas.

Segundo Graça Freitas, das duas crianças que estão na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), uma tem uma doença renal crónica grave e a outra uma doença hematológica grave.

Estas crianças estão nos “cuidados intensivos, mais pela sua doença de base, pelo menos uma delas, que está descompensada”, sublinhou.

Questionada se este número de crianças internadas pode estar associado ao desconfinamento, Graça Freitas afirmou que “é muito prematuro” afirmar isso “até porque o Hospital Dona Estefânia recebe crianças de várias origens”, nomeadamente dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e do Sul do país.

“Isto são variações em relação a outros dias em que já houve nove, 10 casos, hoje temos 14, mas não podemos tirar daqui uma ilação direta se se deve ou não ao desconfinamento”, salientou Graça Freitas, adiantando que é preciso “ver como é que estas crianças vão evoluir”.

Segundo o jornal Correio da Manhã, as duas crianças internadas na UCI do Hospital Dona Estefânia têm menos de um ano e estão a ser ventiladas.
Graça Freitas disse não ter a “certeza absoluta” se serem bebés com menos de um ano, afirmando apenas que “são crianças pequenas e doentes crónicos”.

Segundo a diretora-geral da Saúde, a evolução do número de infeções em crianças em Portugal está “a acompanhar o movimento de todo o resto do país” em que “a tendência é francamente decrescente”.

“Exceto estas três crianças do Alentejo que estão internados no Hospital Dona Estefânia, mas que já estavam, não são casos que aconteceram nas últimas horas, o internamento em pediatria está a seguir exatamente a mesma tendência”, vincou.

Contactado pela agência Lusa, uma fonte do Centro Hospitalar Lisboa Central, adiantou que às 00:00 de hoje estavam internadas no Dona Estefânia, unidade de referência para a covid-19 em idade pediátrica, 14 doentes e 87 estão em vigilância em casa.

Altas sociais são um "enorme desafio"

O secretário de Estado da Saúde considerou hoje "um enorme desafio” o problema dos idosos que permanecem nos hospitais por razões sociais e defendeu que a rede de cuidados continuados tem vindo a responder adequadamente, mas ainda pode melhorar.

António Lacerda Sales comentava os dados divulgados pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), segundo os quais mais de 1.500 camas dos hospitais públicos estão ocupadas com pessoas que já tiveram alta, mas que se mantêm internadas por falta de resposta extra-hospitalar, correspondendo a 8,7% dos internamentos.

Ressalvando que o problema das altas sociais “não é só de agora” e que preocupa as autoridades “há bastante tempo”, o governante afirmou que “continuamente” conversam com os respetivos presidentes e conselhos de administração das diferentes instituições para perceber a realidade de cada uma.

“É natural que [o problema] se possa ter agudizado um pouco com esta questão do surto epidémico e para o qual tentamos sempre encontrar respostas nas diferentes tipologias que sejam respostas sociais”, sublinhou.

Analisando apenas os internamentos dos doentes com covid-19, o Barómetro do Internamentos Sociais da APAH concluiu que do total dos 810 internamentos, 147 eram doentes que não necessitavam de estar internados por razões de saúde, representando cerca de 18% do total de internados.

Para o secretário de Estado da Saúde, esta situação representa “um enorme desafio” para “o planeamento de políticas sociais e que tem a ver com solidariedade e dignidade humana e que são as manifestas e reais dificuldades quer ao nível social quer ao nível familiar quer ao nível da habitação”.

Nesse sentido, defendeu, “serão com certeza sempre necessárias mais políticas e melhores políticas sociais quer de apoio aos familiares que de apoio aos idosos”.

Considerou ainda que a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados tem respondido de “uma forma adequada”, mas reconheceu que podem “sempre melhorar”, uma vez que é um processo contínuo de melhoria gradual.

“Temos neste momento uma cobertura de 64% dispersa pelas diferentes regiões, temos alargado estas respostas. Este ano foram autorizadas já cerca de 570 mil camas para uma meta até ao final do ano de cerca de 800 camas. Parece que é significativo e melhorará de uma forma significativa a nossa resposta”, salientou.

Mas, admitiu, esta situação “preocupa, porque quanto mais tempo estão internados estes doentes idosos maior possibilidade têm de fazer infeções”, nomeadamente hospitalares, e de deteriorar o seu estado de saúde.

Por ser “uma matéria que nos preocupa muito, até pelo constrangimento maior que nos provoca em termos de procura de camas, estamos a trabalhar quer com a Segurança Social quer com o Terceiro Setor [social] para podermos agilizar este processo”, adiantou.

António Lacerda Sales destacou ainda os dados do barómetro que refletem uma maior referenciação de doentes para rede nacional de cuidados continuados e que o tempo que aguardam para essa referenciação também é menor.

No seu entender, são “dois bons indicadores a reforçar no futuro e que dão confiança” para poderem “melhorar em conjunto com a Segurança Social e com o Terceiro Setor”.

Segunda vaga?

"Neste momento não conseguimos prever o que vai acontecer. Vários estudos indicam cenários diferentes", disse Graça Freitas, quando questionada acerca das declarações hoje de uma responsável da Organização Mundial de Saúde que diz ser pouco provável a ocorrência de uma segunda grande vaga de covid-19.

A pandemia do novo coronavírus já matou pelo menos 344.964 pessoas e infetou mais de 5,4 milhões em todo o mundo desde dezembro, segundo um balanço da agência AFP, às 11:00 hoje, baseado em dados oficiais.

Os Estados Unidos, que registaram a primeira morte ligada ao coronavírus no início de fevereiro, são o país mais afetado em termos de número de mortes e casos, com 97.722 e 1.643.499 casos, respetivamente. Pelo menos 366.736 pessoas foram declaradas curadas.

Depois dos Estados Unidos, os países mais afetados são o Reino Unido, com 36.793 mortes em 259.559 casos, Itália com 32.785 mortes (229.858 casos), Espanha com 28.752 mortes (235.772 casos) e França com 28.367 óbitos (182.584 casos).

A China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau), onde a epidemia começou no final de dezembro, contabilizou 82.985 casos (11 novos entre domingo e hoje), incluindo 4.634 mortes (nenhuma nova) e 78.268 curados.

A Europa totalizou 174.064 mortes e 2.032.327 casos, Estados Unidos e Canadá 104.181 mortes (1.727.581 casos), América Latina e Caraíbas 40.170 mortes (743.245 casos), Ásia 14.240 mortes (454.133 casos), Médio Oriente 8.839 mortes (345.415 casos), África 3.340 mortes (111.148 casos) e Oceânia 130 mortes (8.476 casos).

Portugal entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

O Governo aprovou novas medidas que entraram em vigor na segunda-feira, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.

O regresso das cerimónias religiosas comunitárias está previsto para 30 de maio e a abertura da época balnear para 06 de junho.

Novo coronavírus SARS-CoV-2

A Covid-19, causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, é uma infeção respiratória aguda que pode desencadear uma pneumonia.

A maioria das pessoas infetadas apresenta sintomas de infeção respiratória aguda ligeiros a moderados, sendo eles febre (com temperaturas superiores a 37,5ºC), tosse e dificuldade respiratória (falta de ar).

Em casos mais graves pode causar pneumonia grave com insuficiência respiratória aguda, falência renal e de outros órgãos, e eventual morte. Contudo, a maioria dos casos recupera sem sequelas. A doença pode durar até cinco semanas.

Considera-se atualmente uma pessoa curada quando apresentar dois testes diagnósticos consecutivos negativos. Os testes são realizados com intervalos de 2 a 4 dias, até haver resultados negativos. A duração depende de cada doente, do seu sistema imunitário e de haver ou não doenças crónicas associadas, que alteram o nível de risco.

A covid-19 transmite-se por contacto próximo com pessoas infetadas pelo vírus, ou superfícies e objetos contaminados.

Quando tossimos ou espirramos libertamos gotículas pelo nariz ou boca que podem atingir diretamente a boca, nariz e olhos de quem estiver próximo. Estas gotículas podem depositar-se nos objetos ou superfícies que rodeiam a pessoa infetada. Por sua vez, outras pessoas podem infetar-se ao tocar nestes objetos ou superfícies e depois tocar nos olhos, nariz ou boca com as mãos.

Estima-se que o período de incubação da doença (tempo decorrido desde a exposição ao vírus até ao aparecimento de sintomas) seja entre 2 e 14 dias. A transmissão por pessoas assintomáticas (sem sintomas) ainda está a ser investigada.

Vários laboratórios no mundo procuram atualmente uma vacina ou tratamento para a covid-19, sendo que atualmente o tratamento para a infeção é dirigido aos sinais e sintomas que os doentes apresentam.

Onde posso consultar informação oficial?
A DGS criou para o efeito vários sites onde concentra toda a informação atualizada e onde pode acompanhar a evolução da infeção em Portugal e no mundo. Pode ainda consultar as medidas de segurança recomendadas e esclarecer dúvidas sobre a doença.

https://covid19.min-saude.pt
https://covid19.min-saude.pt/ponto-de-situacao-atual-em-portugal
https://www.dgs.pt/em-destaque.aspx

Quem suspeitar estar infetado ou tiver sintomas em Portugal - que incluem febre, dores no corpo e cansaço - deve contactar a linha SNS24 através do número 808 24 24 24 para ser direcionado pelos profissionais de saúde. Não se dirija aos serviços de urgência, pede a Direção-Geral da Saúde.

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