“O processo da tenda, que estamos a reformular, fica pronto esta semana. Quem vê por fora vê a mesma estrutura, mas dentro há circuitos diferentes [para adultos e crianças]”, referiu o diretor da Unidade Autónoma de Gestão de Urgência e Medicina Intensiva do Hospital de São João, Nelson Pereira.

Em declarações à agência Lusa, ao lado da diretora do serviço de urgência, Cristina Marujo, Nelson Pereira descreveu os passos que o Hospital de São João tem vindo a dar para se preparar para a “chamada segunda vaga” de infeção pelo novo coronavírus.

O médico destaca que, “ao contrário do que aconteceu na primeira fase”, existe “a consciência” de que “provavelmente” a área de pediatria terá “um impacto maior”, porque “se num primeiro momento [em março, abril e maio] as crianças estavam confinadas e as escolas estavam fechadas, agora tudo é diferente”.

Já Cristina Marujo acrescenta que, “por natureza”, na pediatria o outono e o inverno são “uma altura de maior impacto de afluência”.

Ambos mostram preocupação com o facto da “tipologia das situações clínicas que levam as crianças a ir à urgência estar tipicamente associada os sintomas que podem ser atribuídos à covid-19”.

“Antes, as crianças [covid-19 positivo ou caso suspeito] iam para a urgência pediátrica que tinha [e mantém] fluxos covid e não covid. O espaço do hospital foi suficiente, embora o serviço tivesse crescido para dentro, para acomodar as necessidades. Neste momento temos o receio que isso não seja possível. Também os contentores estão quebrados a meio e metade será para crianças e metade para adultos, com entradas separadas”, frisou Nelson Pereira.

Num hospital que no chamado “pico da pandemia” chegou a receber num só dia mais de 350 casos suspeitos de covid-19, ultimam-se esta semana os detalhes sobre a chamada “linha da frente” do combate à pandemia que, em termos físicos e numa síntese a olho nu, se traduz em três níveis.

Em primeiro lugar o serviço de urgência, que atualmente sofre obras de reformulação no valor de um milhão de euros e que crescerá cerca de 30%, absorvendo um espaço até aqui dedicado a serviços administrativos.

Seguem-se os contentores instalados imediatamente à frente do edifício central do hospital e a tenda de campanha, uma estrutura que ganhou corpo na primeira semana de março e foi encerrada no final de abril, mas que se manteve sempre de pé a aguardar os desenvolvimentos desta pandemia que já provocou mais de 961 mil mortos no mundo, desde dezembro do ano passado, incluindo 1.920 em Portugal.

“São níveis de atuação que voltamos a ter preparados para uma resposta em harmónio, ou seja, quando os números crescerem vamos para os contentores durante o dia. Depois, se necessário, contentores de dia e de noite. E, também se for necessário, tenda de dia e depois tenda de dia e de noite”, enumerou Nelson Pereira.

Também a diretora do serviço de urgência do São João é direta na síntese sobre os preparativos para um eventual novo pico de infeção: “Os contentores estão preparados ao minuto. Neste momento, se virmos que temos muitas pessoas à espera, é ir”.

Quanto ao “novo” serviço de urgência, esse deverá estar “totalmente pronto em meados ou finais de outubro”, mas os responsáveis alertam que a ampliação do espaço não significa automaticamente atender mais doentes.

“A reformulação está a ser feita não para absorver doentes covid ou mais doentes, mas para podermos espaçar mais e criar outras condições de conforto e outra capacidade de vigilância. Não se trata de atender mais doentes – tipicamente e num ano considerado comum ou normal, há doentes a mais na urgência –, mas se não for de todo possível [reduzir o número] que sejam os mesmos numa resposta física com mais condições”, concluiu Cristina Marujo.

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