Ao todo foram registados em Portugal 59 casos suspeitos de infeção pelo novo coronavírus, Covid-19, todos com resultados negativos, garantiu a Direção-Geral de Saúde (DGS).

Com vista a desmistificar informações contraditórias, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, informou que quaisquer informações sobre casos positivos para coronavírus nesta fase se referem a coronavírus sazonais e não ao Covid-19.

Todavia, esclareceu Graça Freitas, continuam a ser validados casos suspeitos. "Durante esta noite enviámos para os hospitais mais casos e logo à tarde faremos o resumo do dia".

Mais acrescenta a diretora-geral de saúde que "quando houver um caso positivo — porque nós estamos à espera que aconteça, como sabem a situação epidemiológica no mundo vai originar um caso positivo mais tarde ou mais cedo em Portugal, e provavelmente até mais — obviamente que nós [DGS] comunicaremos de imediato".

Graça Freitas fez questão de salientar que a DGS está a comunicar com "total transparência para promover a confiança e a tranquilidade".

Ainda com vista a tranquilizar a população — depois de ontem a DGS ter assumido que chegou a considerar um cenário em que possivelmente haja 1 milhão de portugueses infetados — Graça Freitas explica que a única forma de preparar um plano de contingência é partir de um cenário. "Um cenário não é uma previsão", serve antes para "prever impactos em termos de quantos doentes poderei ter em determinado período, de quantas camas poderei ter ocupadas, quantas consultas", explica.

A primeira questão a ser trabalhada num cenário é a "taxa de ataque", explicou. Todavia, e face à falta de dados, os cenários são construídos "por analogia", disse Graça Freitas. "Nós fomos buscar o cenário de uma taxa de ataque possível, que foi aquele com que trabalhámos para a gripe [A] e daria, ao longo de toda a epidemia, casos na ordem dos 10% de 10 milhões [1 milhão de portugueses]".

"Depois começamos a colher informação vinda da China e outros focos de infeção e com essa informação fomos afinando os nossos cenários, e então chegámos a um segundo cenário que é com uma taxa de ataque já muito menor, de cerca de 0,9 a 1%, dando uma hipótese de 21 mil casos na pior semana".

Graça Freitas fez questão de salientar que se trata de cenários e não de previsões de infeção em Portugal. "Tenho é que ter uma base de trabalho", justifica. "Neste momento estes cenários são dinâmicos", acrescentou ainda, explicando que mudam à medida que são conhecidos novos casos no mundo.

A título de exemplo, "para a gripe A previu-se um cenário de 10% e ficou em cerca de 7%, que foram diluídos ao longo de várias semanas".

Questionada sobre se Portugal está preparado para um eventual surto, Graça Freitas recordou que já não se está a trabalhar com um cenário de 1 milhão de infetados — face à informação agora disponível —, mas antes com cenarizações muito menores. Nesse sentido disse apenas que "a preparação terá de acontecer. Quando temos gripe os nossos serviços têm capacidade de tratar todos os doentes que continuam a existir, assim como os que aparecem com epidemia. A preparação é também uma questão de flexibilidade e adaptação dos recursos para atender o que for mais importante naquela altura. E nós temos tido capacidade de tratar as nossas grandes epidemias de gripe", reiterou.

"Os últimos cenários estão a ser feitos com os últimos dados da China e vamos dando conta do que formos cenarizando", acrescentou Graça Freitas. Questionada sobre se afastava então o primeiro cenário de 1 milhão de infetados nesta fase disse: "afasto completamente. Já vamos no quarto cenário e os dados são cada vez mais favoráveis e o grau de incerteza é cada vez menor”.

Relativamente ao que está a ser feito neste momento, a diretora-geral de saúde informou que "nós neste momento temos mais hospitais de referência, temos mais médicos na linha de apoio ao médico, mais enfermeiros na Linha Saúde24, mais laboratórios, portanto estamos a preparar-nos para que cheguem mais casos possíveis ou suspeitos a Portugal. Estamos agora na fase de contenção alargada."

Neste sentido, há 12 hospitais de referência possíveis, isto é, prontos para serem accionados caso tenham de receber casos. "Neste momento o hospital que já recebeu casos — além do São João, Curry Cabral e Estefânia — foi o dos Açores, na Ilha Terceira. Aqui no continente Santo António (no Porto) está pronto a receber doentes desde há dois dias e o Hospital Pediátrico de Coimbra também está pronto para receber doentes. E consideramos que esta retaguarda de mais dois hospitais será suficiente. Os outros estão de prontidão", disse Graça Freitas.

Sobre as precauções que a população pode tomar, Graça Freitas disse que "não é preciso correr para ir comprar máscaras", até porque a sua utilização não está a ser recomendada. "As máscaras são para o doente, ele é que precisa de uma barreira. E, além dele, para os médicos e enfermeiros que procedam a tratamentos junto dos doentes". Assim, garantiu, "há máscaras para quem precisar. Estamos obviamente a garantir uma reserva de equipamento individual".

Também em relação à corrida aos supermercados, Graça Freitas considerou a mesma desnecessária. "A maior parte das pessoas tem alimentos em casa para uns dias, e não vamos ficar todos doentes no mesmo dia e à mesma hora", salvaguardou.

Sobre as medidas de proteção individual, a diretora-geral de saúde apela à consciencialização cívica, dando como exemplo um surto normal de gripe: "Perturba-me imenso durante a gripe entrar num elevador e ter várias pessoas a espirrar. Porque não ficaram em casa? Passou a epidemia? Voltemos todos aos afetos e aos abraços, à vida normal. Durante a epidemia temos de ter alguns cuidados", exemplificou.

Relativamente à eventual necessidade dos trabalhadores terem de ficar em casa por questões de contenção do vírus, Graça Freitas disse que o secretário de estado da Saúde e o secretário de estado da Administração Pública estão reunidos a avaliar esse tema dentro do quadro legal português. "As pessoas não serão prejudicadas nos seus direitos laborais, também queremos deixar esta tranquilidade. As pessoas que ficarem em isolamento voluntário para não contagiar outros terão toda a proteção do Estado relativamente aos seus direitos laborais, tal qual como as pessoas que adoecerem. O Estado cuida das suas pessoas".

O balanço foi realizado pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa na manhã deste sábado.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu em entrevista ao Expresso que foi considerado um cenário de um milhão de portugueses infetados pelo Covid-19.

A diretora-geral da Saúde explicou que os estudos realizados estimam que 80% do total de infetados pelo novo coronavírus “vão ter doença ligeira a moderada”, 20% terão “doença mais grave” e apenas 5% uma “evolução crítica”. Neste cenário, a taxa de mortalidade “será à volta de 2,3% e 2,4%”.

A responsável da Direção-Geral da Saúde (DGS) acrescentou que “no cenário mais plausível” poderá haver “cerca de 21.000 casos na semana mais crítica”, dos quais 19.000 poderão ter sintomas ligeiros, “como a gripe”, e 1.700 terão “de ser internados, nem todos em cuidados intensivos”.

Graça Freitas esclareceu que as autoridades de saúde de Portugal construíram esta previsão tendo por base a fórmula utilizada para a pandemia da Gripe A, em 2009.

Até este sábado, Portugal registou 59 casos suspeitos. No Japão, há, todavia, dois cidadãos portugueses infetados com o vírus.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) lançou um microsite sobre o novo coronavírus (Covid-19), onde os portugueses podem acompanhar a evolução da infeção em Portugal e no mundo e esclarecer dúvidas sobre a doença.

Em Portugal, quem suspeitar estar infetado ou tiver sintomas - que incluem febre, dores no corpo e cansaço - deve contactar a linha SNS24 através do número 808 24 24 24 para ser direcionado pelos profissionais de saúdeNão se dirija aos serviços de urgência, pede a Direção-geral de Saúde.

Entre as recomendações de saúde para evitar infeções está: Lavagem frequente das mãos com detergente, sabão ou soluções à base de álcool; Ao tossir ou espirrar, fazê-lo não para as mãos, mas para o cotovelo ou para um lenço descartável que deve ser deitado fora de imediato; Evitar contacto próximo com quem tem febre ou tosse; Evitar contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos; Deve ser evitado o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos; Caso se dirija a uma unidade de saúde com suspeitas de infeção ou sintomas deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.

A Direção-Geral da Saúde  ativou os hospitais de Santa Maria, S. José (Lisboa), Coimbra e Santo António (Porto) para validar casos suspeitos de infeção pelo novo coronavírus (Covid-19). Tratam-se de hospitais de referência de "segunda linha" para a contenção da infeção. A partir de 26 de fevereiro, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e o Hospital Curry Cabral, em Lisboa, passam a poder fazer análises laboratoriais aos casos suspeitos. Até à data, as análises eram feitas no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, em Lisboa, e, mais recentemente, no Hospital S. João, no Porto. Atualmente existem 2.000 quartos de isolamento nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde. O Serviço Regional de Saúde dos Açores disponibilizou 80 quartos de isolamento. A Madeira já apresentou também o seu plano de contingência.

A Direção-Geral da Saúde emitiu ainda recomendações às empresas por causa do coronavírus, aconselhando-as a definir planos de contingência para casos suspeitos entre os trabalhadores que contemplem zonas de isolamento e regras específicas de higiene, evitando reuniões em sala. Saiba mais aqui.

Por acompanhar a evolução de casos confirmados de infeção, mortes registadas e casos de recuperação, em permanente atualização, aqui.

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