A Queima das Fitas do Porto, que devia acontecer em maio, foi cancelada. Foi um dos impactos mais visíveis da covid-19 na academia da cidade Invicta — a seguir à suspensão das aulas presenciais. Sem a Queima, que significava uma semana sem aulas, os calendários académicos na Universidade do Porto (UP) começaram a sofrer os primeiros ajustes.

Na Universidade do Porto, “estão a ser contemplados vários cenários” para os ajustes no calendário académico. Tudo depende “da data de possível levantamento das medidas de isolamento social impostas pelo estado de emergência”, explica fonte oficial da reitoria ao SAPO24.

“Uma vez que as aulas continuam a decorrer, ainda que a distância, será necessário aferir particularmente quando será possível realizar as avaliações”, acrescenta.

A universidade garante que “a quase totalidade das aulas têm sido asseguradas a distância pelos respetivos docentes, através do sistema de e-learning da Universidade e outros mecanismos de comunicação digital”. Mas admite “umas raras exceções com aulas práticas que colocam um maior desafio para comunicação a distância”.

Apesar de tudo, “as entregas e defesas de dissertações e relatórios mantêm-se, sempre que possível, nas datas previstas”, diz a UP. “São atividades que podem ser realizadas em ‘teletrabalho’. Mesmo a defesa de teses pode ser feita por videoconferência, graças a uma alteração legislativa recente”, esclarece.

Já no caso dos estágios, necessários à conclusão de alguns cursos, “estes estão dependentes da autorização de laboração de cada setor de atividade. Se a empresa continuar a laborar, presencialmente ou em teletrabalho, o estágio pode continuar a ser realizado. Se, por qualquer razão, isso não for possível, obviamente que esse mesmo estágio terá de ser repensando por cada direção de curso”.

Um inquérito da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da UP, por exemplo, diz que "cerca de 65,2% dos inquiridos referiram que não houve uma extensão do prazo de entrega dos trabalhos e 48,8% afirmam que não foi discutido o reajuste dos métodos de avaliação inicialmente estipulados".

"É consensual entre os estudantes inquiridos a dificuldade sentida na realização de trabalhos académicos na sequência do encerramento das Bibliotecas e outros arquivos, que coloca em causa a conclusão dos mesmos dentro dos prazos estabelecidos no início do semestre".

Entre as dificuldades no teletrabalho estão, também, problemas no acesso à internet ou dispositivos móveis.

Esta madrugada, as academias de todo o país pediram ao ministério do Ensino Superior mais apoios sociais e respostas para o que resta do ano letivo. Questionada pelo SAPO24 sobre eventuais suspensões, moratórias ou descontos nas propinas — que continuam a ser pagas — a Universidade do Porto diz que “neste momento nada está definido nesse sentido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e é este quem define o valor e cobrança de propinas”.

“No entanto, a Universidade do Porto está a trabalhar para tentar providenciar apoio financeiro extraordinário aos estudantes que possam ter dificuldades económicas causadas por esta situação”.

Algumas faculdades têm pedido aos estudantes com dificuldades que façam chegar essa informação às instituições.

Portugal regista hoje 187 mortes associadas à covid-19, mais 27 do que na terça-feira, e 8.251 infetados (mais 808), segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

O relatório da situação epidemiológica em Portugal, com dados atualizados até às 24:00 de terça-feira, indica que a região Norte é a que regista o maior número de mortes (95), seguida da região Centro (52), da região de Lisboa e Vale do Tejo (38) e do Algarve, que hoje regista dois mortos.

Relativamente a terça-feira, em que se registavam 160 mortes, hoje observou-se um aumento de 16,8% (mais 27). Segundo os dados da DGS, há 8.251 casos confirmados, mais 808, um aumento de 10,8% face a terça-feira.

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