“Neste momento temos mais de 5% dos alunos em casa e o mesmo se passa com professores e restantes funcionários”, disse à Lusa o presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE), Manuel Pereira, que é também diretor do Agrupamento de Escolas Serpa Pinto, em Cinfães.

“A situação é extremamente grave e a única coisa que joga a nosso favor é que não vão todos para casa ao mesmo tempo”, acrescentou, contando que desde que as aulas recomeçaram, há menos de duas semanas, todos os dias os diretores têm de abrir as escolas com muito menos funcionários.

Na escola sede do agrupamento de Cinfães, por exemplo, todos os dias faltam entre “sete a oito dos 27 funcionários”, porque estão doentes ou ficam em isolamento por viverem com pessoas que ficaram infetadas.

Segundo Manuel Pereira, os estabelecimentos de ensino já funcionavam com um número mínimo de funcionários e agora "mantêm-se abertos com muitas dificuldades”, sendo muitas vezes preciso transferir trabalhadores de uns setores para outros, implicando o encerramento de serviços como a biblioteca ou a papelaria.

“Temos de reduzir ao mínimo todos os serviços que possam ser reduzidos”, disse, acrescentando que “tanto professores como funcionários têm trabalhado mais horas do que o previsto” para conseguir dar resposta aos alunos.

“Sei de escolas do 1.º ciclo e do pré-escolar que optaram por fechar, mas são casos muito pontuais”, disse Manuel Pereira, explicando que nesses estabelecimentos a covid-19 obrigou a ficar em casa não apenas funcionários, mas também muitos docentes e alunos.

Na quarta-feira, por exemplo, o diretor do agrupamento tinha menos 31 alunos nas suas salas de aula, porque tinham testado positivo à covid-19. “Gerir esta incerteza é muito complicado, porque nunca sabemos com o que podemos contar e temos de garantir que tudo funciona”, concluiu Manuel Pereira.

Nos últimos anos, o ministério da Educação tem aumentado o número de trabalhadores nas escolas, tendo alterado a portaria de rácios que define o número de assistentes.

No entanto, a critica à falta de trabalhadores nas escolas também é feita pelo Sindicato de Todos os Professores (STOP): “Temos relatos de assistentes operacionais que dizem que estão a fazer o trabalho de duas ou três colegas. Nos intervalos, faltam assistentes operacionais e depois, claro, há menos vigilância nos intervalos”, disse à Lusa André Pestana, líder do STOP, acrescentando que há “muitos profissionais de educação no limite da exaustão”.

Na semana passada, o diretor do agrupamento Cego do Maio, Arlindo Ferreira, alertou para a possibilidade de algumas escolas terem de fechar por falta de funcionários, obrigados a ficar em casa em isolamento profilático.

Segundo os números hoje divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), Portugal registou pelo terceiro dia consecutivo um novo máximo de novos contágios diários com o coronavírus SARS-CoV-2, com 56.426 novos casos nas últimas 24 horas.

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