"Independentemente de em vários momentos termos discordado de Mário Soares, há também momentos em que concordamos, e sobretudo é um justo reconhecimento sabermos que hoje temos uma democracia pluripartidária porque homens como Mário Soares - e por ventura Mário Soares à cabeça - por ela lutaram em momentos decisivos para o nosso país", disse aos jornalistas Assunção Cristas à saída do Mosteiro dos Jerónimos, onde decorrem as cerimónias fúnebres de Mário Soares.

Segundo a líder centrista, Portugal está hoje "na Europa por trabalho de homens como Mário Soares, também com ele à cabeça".

"Este é o momento de valorizar aquilo que obviamente reconhecemos como muito positivo, independentemente de em outros momentos termos tido posições diferentes e divergência, é mais do que justo e genuíno reconhecer esse trabalho que foi feito para que hoje possamos estar todos em liberdade, em democracia", enfatizou.

Para Cristas, Soares "era conhecido pela sua extraordinária simpatia e capacidade de comunicação".

Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

O Governo português decretou três dias de luto nacional, até quarta-feira.

O corpo do antigo Presidente da República está em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos desde as 13:10 de hoje, depois de ter sido saudado por milhares de pessoas à passagem do cortejo fúnebre pelas principais ruas da capital com escolta a cavalo da GNR.

O funeral realiza-se na terça-feira, pelas 15:30, no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, após passagem do cortejo fúnebre pelo Palácio de Belém, Assembleia da República, Fundação Mário Soares e sede do PS, no Largo do Rato.

Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

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