De acordo com o Público, a contratação estará a ser feita através de mensagens no WhatsApp, sendo que os profissionais apenas têm de enviar o nome e o número de cédula. Porém, alerta a publicação, se o número não for acompanhado pelo documento, poderá tratar-se de uma cédula inválida. No caso dos candidatos que se propõem integrar as escalas organizadas pela CVP para o centro de vacinação do pavilhão municipal da Amadora, estes são admitidos “sem reservas”, sendo-lhes enviada uma mensagem com a data e o local do turno.

A enfermeira Joana Lacerda, que trabalhou no centro de vacinação instalado no Pavilhão Rita Borralho no dia 1 de abril, denunciou o caso ao Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor): “Não há qualquer confirmação de identidade ou da idoneidade profissional de quem se apresenta para vacinar, há um ‘chefe de turno’ que faz uma chamada pelos nomes fornecidos no grupo WhatsApp mas que não confere a identidade com um documento oficial nem solicita a cédula profissional, documento obrigatório para prestação de cuidados de enfermagem”.

De acordo com a denúncia realizada pela enfermeira, “não há qualquer contrato de prestação de serviços assinado, motivo pelo qual abusivamente reduzem os valores que pagam por hora informando por mensagem de WhatsApp” e também “não há solicitação de seguro de acidentes de trabalho e de responsabilidade civil profissional (igualmente obrigatório para a prestação de serviços)”.

Segundo a publicação, que questionou a instituição, a CVP não negou que a documentação não é solicitada no momento da contratação e justificou que os enfermeiros já são do conhecimento da instituição.

“A Cruz Vermelha Portuguesa dispõe de bolsas para profissionais, no âmbito da saúde e outras áreas que se justifiquem com as respostas de cada estrutura local”, respondeu por email fonte oficial da instituição citada pelo Público.

Segundo fonte da CVP terá explicado telefonicamente, os enfermeiros em causa integravam uma bolsa de profissionais criada pela Cruz Vermelha para situações críticas e de emergência, motivo pelo qual quando são chamados não é solicitada novamente a documentação.

No entanto, os profissionais desmentem esta afirmação: “A única inscrição que fiz foi no WhatsApp e nunca fiz parte de nenhuma bolsa pré-existente da Cruz Vermelha. Fui chamada porque me inscrevi no grupo no WhatsApp. No meu primeiro dia – 4 de março – quando cheguei, não sabia a quem me dirigir e ninguém me recebeu. Eu disse que estava ali para o processo de vacinação e foi uma colega que me indicou onde eu podia trocar de roupa. Mais nada. Ninguém confirmou a minha identificação", afirmou uma outra enfermeira do Hospital Amadora-Sintra que pediu o anonimato.

A fonte da CVP terá referido que os números de cédula e a respetiva validade é sempre verificada junto da Ordem dos Enfermeiros, no entanto a Ordem desmente. Segundo o vice-bastonário Luís Filipe Barreira o "pedido nunca foi feito pela Cruz Vermelha à Ordem dos Enfermeiros" e refere que a própria ordem lançou um apelo para estes se inscreverem para a criação de uma bolsa de profissionais creditados para reforçar os recursos do SNS.

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