Segundo a organização Democracia Já para o Mundo Árabe (DAWN, na sigla inglesa) e a associação Julgamento Internacional (TI, também no acrónimo inglês), a queixa, de 42 páginas, sustenta que bin Salman é “cúmplice da tortura e do desaparecimento forçado” do jornalista saudita encontrado morto no consulado da Arábia Saudita em Istambul a 02 de outubro de 2018.

Salman chegou quarta-feira à noite ao aeroporto de Orly, em Paris, onde foi recebido pelo ministro da Economia e Finanças francês, Bruno Le Maire.

“A visita de Salman a França e de Joe Biden à Arábia Saudita não muda o facto de que [o príncipe herdeiro saudita] não passa de um assassino”, lamentou hoje à agência France-Presse (AFP) a secretária-geral da Amnistia Internacional (AI), Agnès Callamard, que liderou uma investigação sobre o assassínio, por agentes sauditas, de Khashoggi quando foi relatora especial da ONU sobre execuções extrajudiciais.

A visita a França do príncipe herdeiro saudita ganhou ainda maior controvérsia depois de o Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciar que irá hoje receber Salman num jantar, tendo em conta a subida de tom das críticas dos defensores dos direitos humanos, que consideram a deslocação “fortemente desadequada”.

O encontro é também visto como mais um apoio à “reabilitação” de Salman, o líder de facto do reino saudita, menos de duas semanas após a visita do Presidente norte-americano, Joe Biden, à Arábia Saudita, que consagrou definitivamente o retorno do príncipe herdeiro ao cenário internacional, num contexto de guerra na Ucrânia e dos preços da energia em alta.

Além das críticas das organizações de defesa dos direitos humanos, a então noiva de Khashoggi, Hatice Cengiz, disse-se “escandalizada” por Macron receber Salman para jantar.

“Estou escandalizada e indignada por Emmanuel Macron receber com todas as honras o carrasco do meu noivo”, afirmou Cengiz numa mensagem escrita em francês e endereçada à AFP.

Colunista do Washington Post e crítico do poder saudita, o jornalista foi morto e esquartejado em outubro de 2018 nas dependências do consulado saudita em Istambul quando lá se deslocou para obter os documentos necessários para se casar.

“O jornalista saudita pediu nomeadamente a restauração da ‘dignidade’ do reino para acabar com a ‘cruel’ guerra no Iémen e denunciou as novas ondas de prisões [na Arábia Saudita] após a entronização de Salman”, lembrou hoje a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), num comunicado de imprensa.

Os serviços secretos norte-americanos apontaram a responsabilidade de Salman no assassínio do jornalista, acusações rejeitadas pelo príncipe herdeiro.

Na terça-feira, o príncipe herdeiro saudita visitou Atenas para reforçar cooperação bilateral na que é a primeira visita oficial a um país da União Europeia desde o assassínio de Khashoggi.

No dia seguinte, quarta-feira, os dois países assinaram acordos sobre transportes marítimos, energia, tecnologia de defesa, gestão de detritos e cultura.

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