Nos supermercados da capital chinesa, o salmão desapareceu esta semana das prateleiras, enquanto nas aplicações de entregas ao domicílio, como o Eleme ou o Meituan, pratos com aquele peixe passaram a estar indisponíveis.

“Tivemos que tirar o salmão do menu”, explicou a funcionária de um restaurante. “Muitos clientes ficaram preocupados”, disse.

A retirada dos produtos surge depois de o chefe do principal mercado abastecedor da cidade, o Xinfandi, ter afirmado que o vírus foi encontrado numa tábua usada por vendedores de salmão importado.

Apesar de os virologistas afastarem essa possibilidade, membros do Centro de Controlo de Doenças do município de Pequim apressaram-se a identificar a origem do surto em alimentos importados.

“Através dos testes, apurou-se que o vírus teve origem na Europa. A avaliação preliminar é de que está relacionado a produtos importados”, disse Yang Peng, numa entrevista à rede de televisão estatal CCTV.

Numa altura em que a China enfrenta críticas pela gestão inicial do vírus, o regime chinês realiza desde há meses uma campanha de propaganda e desinformação para destacar o seu sucesso no combate ao vírus e desviar a culpa da pandemia para o exterior.

Citado pela imprensa norueguesa, Espen Nakstad, que lidera a resposta da Noruega contra o surto da covid-19, recusou aquela possibilidade. “É difícil imaginar como é que um salmão pode levar o coronavírus para a China”, apontou.

A China importa anualmente cerca de 80.000 toneladas de salmão, segundo números citados pela imprensa oficial. O peixe é sobretudo usado em restaurantes japoneses de sushi, muito populares nas principais cidades chinesas.

“É outra tragédia para nós, pois sofremos muito durante a primeira vaga do surto”, explicou Li Zhengfa, de 40 anos, e vendedor de salmão importado da Noruega. “O salmão tornou-se um produto proibido e isto afeta todo o mercado de mariscos”, observou.

Nos últimos dias, a imprensa oficial e as autoridades começaram a retroceder nas suas acusações contra o salmão. Em conferência de imprensa, Shi Guoqing, funcionário do Centro Chinês de Controlo e Prevenção de Doenças, admitiu que não há evidências de que o salmão possa hospedar o novo coronavírus.

O Governo norueguês garantiu também, na quarta-feira, que após uma investigação conjunta com as autoridades chinesas concluiu-se que o salmão da Noruega não era a fonte do coronavírus encontrado em tábuas no mercado de Pequim.

Outros comerciantes e donos de restaurantes culparam a Internet e a imprensa estatal da China por espalhar informações que aumentaram os receios sobre o salmão.

“A velocidade com que as notícias se espalham é incrível. A partir de domingo tivemos uma grande queda de clientes”, explicou Yang, que gere uma marisqueira.

Numa altura em que vários espaços comerciais, outrora restaurantes sempre cheios e com fila à porta, surgem abandonados em Pequim, ilustrando a vaga de falências no setor, a hipótese de que a cadeia alimentar possa ter contribuído para o novo surto ameaça os que sobreviveram.

“Houve muitos restaurantes que encerraram na primeira vaga”, contou um ‘chef’ estrangeiro radicado na capital chinesa. “Agora, vamos levar a machadada final”, previu.

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