“Eu diria, tenham muito cuidado. Antes de dar esse passo”, afirmou em entrevista à Lusa Leon Edward Panetta, ex-diretor da CIA entre 2009 e 2011 e ex-secretário norte-americano da Defesa na Administração de Barack Obama entre 2011 e 2013.

“Eu aconselharia a próxima Administração a reconhecer que os Estados Unidos precisam de ter uma presença na Europa e noutras regiões do mundo”, afirmou Panetta.

“É claro que podemos conseguir isso através da deslocação rotacional das nossas forças, da condução de exercícios com países parceiros, da construção de alianças e parcerias”, reconheceu o antigo governante norte-americano.

Porém — acrescentou – “penso que, em algumas destas áreas críticas onde temos algumas bases [militares] muito importantes, deveríamos ser muito cautelosos em relação a deixarmos cair as nossas ligações a países como Portugal e outros, que têm apoiado muito a presença norte-americana”.

Esta nova avaliação, sublinhou Panetta, ganha uma relevância reforçada quando a Rússia endurece a sua atitude de política externa.

“A Rússia está a fazer esse tipo de ameaças [como, por exemplo, a declaração recente de estabelecer uma base naval permanente na Síria]. Estão, claramente, a ser muito mais agressivos, estão novamente a levantar a ameaça nuclear”, explicou.

“Penso que este é um momento em que todos os países membros da Aliança Atlântica precisam de reforçar, não apenas as respetivas capacidades militares, como também os Estados Unidos têm que reforçar o apoio a estes países”, considerou.

O primeiro-ministro português, António Costa, admitiu esta semana em Macau que a base aérea das Lajes pode ser usada pela China, se os Estados Unidos não renovarem o acordo de exclusividade, mas apenas para fins científicos e não militares.

“Temos um acordo com os Estados Unidos, e queremos continuar com esse acordo, mas respeitamos a decisão” dos norte-americanos, disse António Costa numa entrevista difundida o passado dia 12 pela agência de informação financeira Bloomberg.

Esta declaração do governante português foi feita depois de os Estados Unidos terem anunciado a redução do efetivo militar na base, que será redimensionada tendo em conta a estratégia militar norte-americana.

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