Desde que o antigo rei Juan Carlos comunicou ao seu filho, o rei Felipe VI, que decidiu deixar Espanha e escolher outro país para viver, perante a repercussão pública das investigações sobre os seus alegados fundos em paraísos fiscais, que a nova morada do rei emérito espanhol tem feito correr tinta nas manchetes da imprensa espanhola. Se segunda-feira, Cascais era considerado o novo local de residência de Juan Carlos, hoje o dia começou com o monarca na República Domincana e acaba com o mesmo em Azeitão.

Se o país do Caribe já veio desmentir que o antigo rei tenha entrado no país, a última localização é avançada pelo jornal espanhol 'El Confidencial' que afirma ter consultado fontes próximas da família real. Segundo este meio, Juan Carlos deixou Espanha de carro, viajando até à Casa Grande, na Quinta do Perú, em Azeitão, cidade onde foi recebido pela família Brito e Cunha- Espírito Santo com quem, segundo o jornal, mantém uma relação fraterna desde que sua família permaneceu exilada no Estoril.

A Casa Real espanhola não desmentiu ao 'El Confidencial' que o rei emérito se encontra em Portugal, estando alegadamente à espera da aprovação do mesmo para divulgar o novo local de residência de Juan Carlos.

Em Azeitão, o rei ter-se-á reencontrado com um velho amigo, João Manuel Brito e Cunha, herdeiro da família Alburquerque d’Orey, e a mulher Ana Filipa Espírito Santo

Na carta escrita ao filho, Juan Carlos disse que pretendia facilitar o exercício das funções ao rei, pelo que deixaria de viver no Palácio da Zarzuela e saía de Espanha, perante “a repercussão pública” de “certos eventos do passado”.

“Fui rei de Espanha durante quase 40 anos e, em todos eles, sempre quis o melhor para Espanha e para a coroa”, disse o ex-chefe de Estado através de um comunicado divulgado pelo Palácio da Zarzuela, acrescentando que não quer dificultar a vida de Filipe VI, permitindo-lhe “a tranquilidade e o sossego” que requerem as suas funções.

O Palácio de Zarzuela já anunciou que Filipe VI transmitiu ao seu pai “sincero respeito e gratidão por esta decisão”.

A decisão de Juan Carlos acontece quatro meses depois de Filipe VI ter privado o seu pai de uma subvenção pública de quase 200.000 euros anuais, enquanto renunciava a qualquer herança que pudesse corresponder às suas contas no estrangeiro.

Juan Carlos viu-se envolvido numa investigação judicial, desde o verão de 2018, quando agentes da polícia suíça foram enviados por um juiz para analisar as contas de uma empresa gestora de fundos alegadamente ilegais em paraísos fiscais, onde o rei emérito tem investimentos pessoais.

O antigo rei de Espanha não está a ser investigado, mas fontes judiciais suíças já disseram que pode vir a sê-lo num futuro próximo, embora a lei exija que apenas o departamento fiscal do Supremo Tribunal possa assumir o caso.

A investigação está na fase que pode determinar se há indícios suficientes para poder acusar Juan Carlos de ter cometido algum delito, desde que deixou o trono. Os seus advogados já disseram que o rei emérito continuará a colaborar com a justiça, apesar da decisão de deixar Espanha para viver noutro país.

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