Foi a primeira vez, desde que a Casa Branca anunciou na sexta-feira a composição da equipa de defesa, que esta apresentou os seus argumentos, idênticos aos antecipados em setembro por Trump e pelos republicanos.

Numa primeira "resposta" escrita à acusação, redigida pela Câmara de Representantes, os advogados consideram que se trata de "um ataque perigoso contra o direito dos americanos a eleger livremente o seu presidente", disse à imprensa uma fonte próxima da equipa de defesa.

"É uma tentativa descarada e ilegal de anular os resultados das eleições de 2016 e interferir com as eleições de 2020", acrescentam os advogados Jay Sekulox e Pat Cipoll.

Trump é acusado formalmente de ter cometido abuso de poder ao exigir à Ucrânia — em troco de apoio militar — que investigasse o seu adversário político, Joe Biden, bem colocado para conseguir a nomeação democrata para as eleições presidenciais de novembro.

Segundo a acusação, Trump pressionou o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, ao condicionar um convite à Casa Branca e uma ajuda militar crucial a Kiev à realização destas investigações.

Trump é acusado, ainda, de ter obstruído a investigação realizada pela Câmara de Representantes.

"A ata de acusação é constitucionalmente inadmissível" e "não implica nenhum delito ou violação da lei", defendem os dois advogados.

A resposta dos dois defensores de Trump aborda também o fundo do caso. Alegam que o presidente se reuniu com o homólogo ucraniano em setembro na ONU e que a ajuda militar foi desbloqueada. Os advogados concluem que não houve nenhuma imposição a Kiev por parte de Trump.

Segundo outra fonte, a acusação "viola a Constituição" porque surge de uma investigação dos democratas "que privou o presidente dos seus direitos". Este procedimento de "julgamento político" corre o risco de provocar "danos duradouros às instituições", advertiu.

A equipa de defesa de Trump será chefiada por Cipollone, um advogado da Casa Branca, anunciou a Presidência na sexta-feira. Este será assistido por Sekulow, advogado pessoal do mandatário.

Também se vão somar à equipa o ex-promotor Kenneth Starr, central no julgamento do impeachment do ex-presidente Bill Clinton, e o constitucionalista Alan Dershowitz, um dos advogados de O.J. Simpson.

Os democratas da Câmara dos Representantes apresentaram os seus argumentos ao Senado no sábado, antes da abertura dos debates da próxima terça-feira.

Abordam os elementos principais da acusação que votaram no fim do ano passado e destacam que o comportamento de Trump teria sido "o pior pesadelo" dos mentores da Constituição americana.

Pedem neste sentido ao Senado que "elimine a ameaça que o presidente representa para a segurança nacional dos Estados Unidos".

"O caso contra o presidente dos Estados Unidos é simples, os factos são indiscutíveis e a evidência, assustadora", escrevem os legisladores democratas eleitos que vão dirigir as alegações contra Trump.

O julgamento contra o presidente começou formalmente na quinta-feira com a tomada de posse dos senadores que juraram ser imparciais. Na terça-feira há um primeiro confronto entre as partes.

Trump é o terceiro presidente dos Estados Unidos a ser submetido a um julgamento de impeachment.

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