Num mundo ideal, os cidadãos teriam de pagar em impostos um quarto do salário que recebem?

Num mundo ideal? Esse mundo não existe [riso].

Se tivesse de escolher, e tem mesmo de optar, a União Europeia devia fazer uma aliança comercial com a China ou com os Estados Unidos?

Estas não são questões de sim ou não, são questões e trabalhos que estão a ser desenvolvidos aqui no Parlamento Europeu — as instituições europeias desenvolvem-nos — e temos de ter atenção a eles no próximo mandato.

Acredita que é possível travar as alterações climáticas na legislatura europeia que agora começa?

Espero bem que sim. Acima de tudo, espero que consigamos minimizar, mitigar o impacto que a crise climática já está a ter. Todos os dados que nos têm chegado da parte de cientistas, de quem estuda estas questões, indicam que estamos a ter um aumento das temperaturas mais rápido do que seria expectável. Esperemos, para o bem de todos nós, que seja possível na próxima legislatura e que a Europa seja um líder global no combate às alterações climáticas.

Nos Censos de 2021 o INE devia ou não incluir uma pergunta sobre a origem étnica, as raízes, das pessoas?

[Riso] Só se der a cada um um kit para saber a componente genética, porque muitas pessoas só sabem de uma, duas, três gerações, mas se fizermos um estudo descobrimos outros genes. E descobrimos que, se calhar, é muito mais o que nos une do que o que nos separa. Acho que com a componente genética teríamos resultados interessantes, mas penso que não fosse de todo ético fazê-lo.

A União Europeia deve ter um exército próprio?

Também não é uma questão de sim ou não. Essa é uma questão que importa tratar e que importa discutir. Acima de tudo temos a questão da proteção civil, e é importante garantir que ao nível da União Europeia existe uma boa resposta em todos os eixos que constituem uma boa proteção civil, e depois a questão do exército será algo a ser desenvolvido.

Se não é o presidente que manda nisto tudo, e dizem-nos que não é, o que está a tornar tão difícil chegar a um consenso sobre quem serão os presidentes das diversas instituições da União Europeia?

Tem a ver com a pluralidade da Europa. O projeto europeu é algo muito bonito, mas temos de perceber que somos 28, cada um com as suas próprias culturas, e que precisamos de encontrar aqui um ponto em comum. Mas penso, e estou confiante, que iremos encontrar os próximos líderes nos próximos tempos.

Qual foi a primeira coisa que fez quando chegou a Estrasburgo?

Estrasburgo... Fui ao meu gabinete. E tem sofá. E ainda tinha lá os pertences do deputado anterior: umas sapatilhas velhas, não sei se eram uma prenda ou não, mas já tiraram.

Descreva a última vez que se irritou.

Pessoalmente? Bom, eu não gosto de migalhas no chão e em sítios improváveis. Não lhe chamaria irritar, tive de falar com quem partilho casa para não acontecer de novo.

Tem alguma comida de conforto?

Tenho. Estive agora a viver no estrangeiro, na Suécia, onde estava a fazer doutoramento, e sempre que ia a casa comia espetada com milho frito, como boa madeirense que sou, e uma boa dose de lapas grelhadas para entrada. E bolo do caco. E a brisa de maracujá. E agora estou a fazer um spot publicitário à Madeira [risos] e à nossa gastronomia, mas é a minha comida de eleição.

Alguém merece ter cem milhões de euros?

[Suspiro] Bem, eles existem, certo? Há prémios maiores no Euromilhões, não há? Eles existir, existem. O que acho é que quando nós nascemos temos de ter oportunidades para progredir e ter a tal mobilidade social. Nisso sim, acredito, que caso nasçamos em condições menos favoráveis tenhamos oportunidade de progredir.


Afinal, da esquerda à direita, os deputados europeus não são tão diferentes como poderíamos pensar. A maioria acredita mesmo que não pagamos demasiados impostos, é contra um exército europeu, prefere os EUA à China, admite irritar-se com facilidade e é bom garfo. Ainda assim, há diferenças. Estas foram as respostas de Sara Cerdas, mas a eurodeputada do PS não foi a única a responder. Saiba mais aqui.

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