Um porta-voz da ONU confirmou a demissão do diretor de Operações de Campo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, acrescentando que a renúncia foi entregue "há algumas semanas" e que "terá efeito no final de agosto". O assessor não comentou as razões alegadas pelo diplomata sueco, que há mais de 30 anos trabalhava na ONU.

Segundo a UN Watch, Kompass desistiu do seu cargo ao constatar "a total impunidade daqueles que abusaram da sua autoridade em diferentes graus, assim como a falta de vontade da hierarquia em expressar qualquer pesar". Nessas condições, "é impossível, para mim, continuar a trabalhar aqui", acrescentou o alto funcionário, citado pela ONG com sede em Genebra.

Em julho de 2014, Kompass enviou às autoridades francesas, por iniciativa própria, um relatório confidencial da ONU sobre "abusos sexuais de crianças pelas Forças Armadas internacionais" e foi suspenso por não ter respeitado os procedimentos em vigor. O assunto foi revelado pelo jornal britânico The Guardian. Segundo o diretor-executivo da UN Watch, Hillel Neuer, "Kompass é um herói por ter tentado proteger crianças violentadas, ao contrário de outras autoridades da ONU".

Em dezembro de 2015, um grupo de especialistas independentes criticou a reação da ONU a essas denúncias. Segundo o último relatório anual do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no ano passado, houve 69 denúncias de agressões sexuais cometidas por capacetes azuis - os soldados das missões de paz das Nações Unidas -, um número "em forte crescimento" em relação a 2014. Metade desses casos foi registada nas missões da ONU na República Centro-Africana (Minusca) e na República Democrática do Congo (Minusco). 

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