“Precisamos de mais espaço para tomar decisões porque as escolas não são todas iguais, o erro tem sido tratar igual o que é diferente”, disse à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira.

Abrangente, democrática, inclusiva e gratuita, assim define o que deve ser a escola pública, da qual – afirma – os portugueses têm “alargado as razões para se orgulharem”.

No entanto, a burocracia “atrapalha a organização”. Neste sentido, o diretor defende ser fundamental haver “confiança” em quem gere os estabelecimentos escolares todos os dias e lida com a diversidade de situações que a escola pública representa.

Para Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), a palavra-chave é “estabilidade”.

As medidas, afirma, deveriam ter a duração de oito anos ou dois ciclos políticos, período findo o qual seriam avaliadas.

“De quatro em quatro anos, muda-se a educação quando muda o ciclo político, que não coincide com o ciclo pedagógico”, critica.

Quem está no terreno, sente os efeitos da instabilidade e da falta de funcionários, atesta Filinto Lima.

Professores querem turmas com menos alunos já em setembro

“Está previsto no programa do PS e gostávamos de ver a medida já legislada”, disse à agência Lusa a presidente da Associação Nacional de Professores (ANP), Paula Carqueja.

A docente defendeu também o fim das turmas mistas (que juntam alunos de vários anos de escolaridade na mesma sala), que o presidente do Conselho Nacional de Educação, David Justino, classificou este mês como uma “chaga social” que afeta 3.000 alunos do 1.º ciclo.

“Temos professores que não têm horário atribuído e que podem fazer isso em regime de coadjuvação com a professora titular”, afirmou.

“Isto é muito importante e não é só para o professor, é também para o aluno”, insistiu a dirigente associativa.

À semelhança do que tem sido defendido pelos sindicatos, também esta estrutura representativa dos professores gostaria de ver revertida a criação dos chamados “mega agrupamentos” de escolas: “As respostas não são as mais adequadas, não são céleres”.

Mais funcionários nas escolas e o regresso dos professores à formação contínua são outras expectativas dos docentes, a par de um aumento das equipas multidisciplinares, com psicólogos integrados.

A ANP espera também que sejam descongeladas as progressões na carreira. “Desde 2010, está tudo completamente parado e é um fator de desmotivação”.

A associação gostava ainda de ver criada uma bolsa de professores para assegurar substituições rápidas nas escolas quando um docente tem de faltar.

“Um pacto educativo era importante”, reconheceu a professora, alertando para a necessidade de se discutirem as questões relacionadas com a aposentação e a renovação do corpo docente.

A Escola Pública será tema em debate no plenário do parlamento, pedido pelo Bloco de Esquerda e marcado para sexta-feira.

O estado em que se encontram os estabelecimentos de ensino, os recursos humanos e a democracia dentro das escolas são temas a abordar neste debate.

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