Em entrevista à ABC, Donald Trump confirmou que a construção do muro que prometeu durante a campanha presidencial deverá começar a ser construído em breve.

“Assim que possamos, assim que possamos fazê-lo”, afirmou Trump numa entrevista à estação ABC, quando questionado sobre a construção do muro ao longo da fronteira com o México, que tem uma extensão total de cerca de 3.000 quilómetros, uma das suas propostas mais polémicas durante a campanha eleitoral para as presidenciais de novembro do ano passado.

“Diria que em meses, sim. Diria que em meses, o planeamento vai começar certamente de imediato”, reforçou o chefe de Estado americano.

Donald Trump disse que as "negociações [com o México] começarão em breve" e que o México reembolsará "absolutamente e a 100%" a construção do muro que separará os dois países.

Admitindo contudo, que a construção será, em primeiro lugar, financiada pelo estado americano, o presidente dos EUA não insistiu na ideia de que o México reembolsará os EUA desses mesmos custos, mesmo após ser lembrado pelo entrevistador que o presidente mexicano, Peña Nieto, disse há dias que o seu país não pagará qualquer muro. "Seremos reembolsados, numa data posterior, de qualquer transação realizada com o México".

Presidente do México diz que não paga pelo muro

"É claro que não pagaremos pelo muro", disse há quase duas semanas o presidente mexicano, numa declaração proferida no final de um encontro com diplomatas mexicanos. "É evidente que temos algumas diferenças com o governo dos EUA, como no tópico relacionado com o muro, que o México, obviamente, não pagará", reforçando que esta questão vai contra a dignidade do México e dos mexicanos.

Paralelamente, e para além da ordem executiva que dá início ao processo de construção do muro, o porta-voz da Casa Branca avançou que Donald Trump pretende também assinar outra ordem com o objetivo de reforçar as leis de imigração nos EUA.

"A primeira ordem executiva visa o melhoramento da segurança na fronteira, através da construção de uma grande barreira física no sul fronteiriço", disse Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca. "Mais do que uma promessa eleitoral, é algo de senso comum que servirá para reforçar a segurança na (...) fronteira", prosseguiu, dizendo ainda que este ato parará a fluxo de "crime, drogas e imigração ilegal" para os EUA. "E sim, de uma maneira ou de outra, como o Presidente já disse anteriormente, o México pagará por isso".

"De acordo com a Constituição", continuou Spicer, "o povo americano é quem tem a palavra final sobre quem entra ou não no nosso país" e, por isso, "vamos criar mais espaços para detenção de imigrantes ilegais ao longo da fronteira do Sul [dos EUA], de forma a ser mais fácil e barato detê-los e devolvê-los aos países de origem". "Vamos também prioritizar a acusação e deportação de imigrantes ilegais que (...) violaram as nossas leis" e "depois destes criminosos cumprirem a sua pena, receberão um bilhete só de ida para os seus países de origem e os seus governos vão aceitá-los de volta", disse o porta-voz da Casa Branca.
No que respeita à segunda ordem executiva, a mesma tem como objetivo "aumentar a segurança pública no interior dos EUA" e "endereçar o reforço das leis de imigração dos EUA", disse Spicer, devolvendo "o poder e responsabilidade aos homens e mulheres do departamento da Segurança Interna ligado às questões de alfandegárias e de imigração", de forma a que estes possam fazer cumprir a lei. "Estes homens e mulheres querem fazer cumprir a lei e nós vamos ajudá-los a fazer isso".

Recorde-se que o presidente dos EUA receberá Enrique Peña Nieto, presidente do México, a 31 de janeiro, na Casa Branca.

[Notícia atualizada às 19h25]

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