O BE quis começar o período oficial de campanha com um almoço dedicado à Cultura, com apoiantes como José Luís Peixoto, Pilar del Río, Fernando Tordo, Lúcia Moniz, Tiago Rodrigues, Nuno Carinhas ou Pedro Lamares, um discurso no qual Catarina Martins pediu para o setor "respeito por quem trabalha e orçamento para que o ministério seja digno desse nome".

A coordenadora bloquista lembrou que nos anos de crise em Portugal, os anos de "todos os cortes" também na cultura, se soube da vida das pessoas "por estes artistas que ninguém conseguiu silenciar", com filmes, músicas, peças de teatro ou textos "sobre o desespero que o país vivia", que humanizaram as pessoas que "estavam a ser perseguidas".

"[Os artistas] foram cimento de empatia, foram cimento de solidariedade e por isso foram, sim, grandes construtores da solução política que tivemos nos últimos quatro anos", enalteceu.

No entanto, lamentou Catarina Martins, "desgraçadamente a mudança que ajudaram a criar, não chegou às políticas públicas para a cultura", onde se andou " muito pouco" na legislatura que agora termina com estas eleições.

A líder bloquista lembrou alguns "passos que foram dados", como a TDT com mais canais, a descida do IVA da cultura e a aprovação da lei, proposta pelo BE, "que reconhece que existe uma rede de teatros e cine teatros que precisam de meios".

"Não mudou o paradigma, Temos um ministério com nome de ministério mas sem orçamento de ministério", lamentou.

Outra prova de que não mudou o paradigma, segundo Catarina Martins, é o facto de não se olhar para "os serviços públicos de cultura como tal", mantendo-se as instituições "muitas vezes estranguladas", numa espécie de política "de mão estendida".

"Precisamos desse novo paradigma que sabe que é no avesso à cultura que ficamos fortes e que temos liberdade", pediu.

Olhar quem trabalha neste setor como um trabalhador é outra exigência que os bloquistas fazem porque elogios, prémios e palavras agradecidas "não pagam a conta de supermercado a ninguém".

A líder do BE não esqueceu o antigo coordenador do partido João Semedo - que morreu em 2018 - e citou a sua ideia de que o que salvou o Serviço Nacional de Saúde dos ataques da direita para o tentar destruir foram "os seus utentes" e "o facto de haver um país inteiro que sabe que precisa do Serviço Nacional de Saúde".

"Tem de ser assim com a cultura, com os equipamentos da cultura, tem de ser assim, tem de chegar a toda a gente", comparou.

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