“No PS, a palavra de ordem é mudar, mas não vemos uma única proposta concreta que atinja estas questões. Porque é que o PS não quer a gestão pública do porto, da zona franca ou das vias rápidas. Então quer mudar o quê? Fingir que não existem é cegueira? Não é coragem, é cobardia. Não corrigir estes privilégios para não incomodar os seus beneficiários é uma grande cobardia”, frisou.

Paulino Ascensão falava durante um almoço para receber a líder do BE, Catarina Martins, na Madeira, onde chegou hoje para sensibilizar o eleitorado para a necessidade do voto no BE nas eleições regionais do dia 22 de setembro e nas nacionais de 06 de outubro.

O candidato lembrou que, no tempo da sua mãe, havia senhorios, que eram os donos da terra e aos quais se tinha de pagar uma parte do que a terra produzia.

“Ainda hoje continuamos a ter senhorios. Tudo o que consumimos, pagamos um contributo aos senhorio dos portos, o grupo Sousa; circulamos nas melhores estradas, pagamos um tributo às concessões rodoviárias; vamos estacionar a viatura, pagamos um tributo ao senhorio Henriques; a zona franca já rendeu ao sr. Pestana mais de 50 milhões ao longo dos anos pela concessão. Esta é a realidade da Madeira: um punhado de famílias que têm tudo controlado e, do outro lado da moeda, níveis de pobreza dos mais altos do país, rendimentos mais baixos, uma grande desigualdade”, afirmou.

Para o bloquista, as fortunas destes grupos “não se devem ao mérito, são fortunas de favor, são decisões do Governo”.

Afirmando que aqueles grupos fazem dos madeirenses “gato sapato”, Paulino Ascenção questionou “como é possível que um contentor do continente para a Madeira seja mais caro do que do continente para a China?”

“Como é que é possível que uma carrinha comercial transportada no ‘ferry’ de Portimão para o Funchal custe sete vezes mais do que daqui para lá? Temos o mar inclinado?”, acrescentou o candidato.

O cabeça de lista do BE sublinhou que aquelas “fortunas são as grandes conquistas da autonomia” e defendeu que, quando o Governo Regional diz que defende a autonomia e os madeirenses, “está a mentir, está a defender tão só estas famílias, estes privilégios”.

“E a Madeira está a perder população. Nos últimos oito anos foram menos, em média, mil alunos em cada ano letivo e no próximo já está anunciado que são menos 3.600 alunos. E isto é preocupante. Numa região que perde população, algo está errado e isto é a maior prova do grande falhanço deste modelo de desenvolvimento da governação do PSD”, afirmou.

As eleições regionais legislativas da Madeira decorrem em 22 de setembro, com 16 partidos e uma coligação a disputar os 47 lugares no parlamento regional.

PDR, CHEGA, PNR, BE, PS, PAN, Aliança, Partido da Terra-MPT, PCTP/MRPP, PPD/PSD, Iniciativa Liberal, PTP, PURP, CDS-PP, CDU (PCP/PEV), JPP e RIR são as 17 candidaturas validadas para estas eleições, com um círculo único.

Nas regionais de 2015, os sociais-democratas seguraram a maioria absoluta – com que sempre governaram a Madeira - por um deputado, com 24 dos 47 parlamentares.

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