Macron, liberal centrista, obteve entre 57,6% e 58,2% dos votos, à frente da candidata do Reagrupamento Nacional, creditada com 41,8% a 42,4% dos votos, segundo estas estimativas.

Confirmando-se, esta diferença de aproximadamente 16 pontos percentuais vai além das sondagens mais otimistas quanto à vitória de Macron, que projetavam entre 10% e 15% de vantagem face a Le Pen.

Ainda assim, é um resultado mais positivo para a candidata de extrema-direita face ao de 2017, quando obteve apenas 33,9% dos votos face aos 66,1%.

Quase 49 milhões de franceses foram chamados a votar, tendo as mesas de voto encerrado às 20h00 (19h00 de Lisboa).

Os franceses terão optado por renovar o mandato de um Presidente centrista liberal e muito pró-europeu, face a uma candidata radical, com "prioridade nacional" no centro do seu projeto, e extremamente crítica da União Europeia.

A vitória representa também um feito para Macron: apenas dois presidentes franceses tinham conseguido ser reeleitos: François Mitterrand, em 1988, e Jacques Chirac, em 2002.

No entanto, nem tudo são boas notícias para o presidente francês, já que a taxa de abstenção projetada para estas eleições é de entre 27,8% e 29,8%, a maior desde 1969, demonstrando o desinteresse de muitos dos eleitores entre dois candidatos em que não se vêem representados.

Os resultados mostram também uma nação dividida e indicam uma batalha para o Presidente manter a sua maioria parlamentar nas eleições legislativas de junho.

Cinco anos depois, a França já não é o mesmo país: protestos sociais marcaram a primeira metade do mandato de Macron, uma pandemia global confinou milhões de pessoas e a invasão russa da Ucrânia abalou todo o continente europeu.

A campanha eleitoral para esta segunda volta ficou marcada pelo único debate televisivo entre os dois rivais políticos.

O poder de compra dos franceses, a guerra na Ucrânia, a gestão da pandemia de covid-19, a segurança ou a imigração foram alguns dos temas que dominaram o debate entre os candidatos presidenciais que, segundo a maioria dos estudos de opinião efetuados logo após o frente-a-frente, foi vencido pelo atual Presidente francês.

No contacto direto com os eleitores, os dois candidatos dramatizaram o discurso e lançaram todos os esforços possíveis para conquistar, sobretudo, os votos dos apoiantes de Jean-Luc Mélenchon (esquerda radical), que na primeira volta das eleições foi o terceiro mais votado (22%), e mobilizar os abstencionistas.

Na reta final da campanha, Macron recebeu um apoio de peso, com os primeiros-ministros de Portugal e Espanha e o chanceler alemão a apelarem à votação no governante francês, defendendo que a França deve permanecer do lado dos valores da Europa.

“A segunda volta das eleições presidenciais francesas não pode ser ‘business as usual’ para nós. A escolha que o povo francês enfrenta é crucial — para a França e para cada um de nós na Europa. É a escolha entre um candidato democrático, que acredita que a força da França cresce numa União Europeia poderosa e autónoma, e uma candidata de extrema-direita, que se coloca abertamente do lado daqueles que atacam a nossa liberdade e a nossa democracia — valores baseados nas ideias francesas do iluminismo”, defenderam, na quinta-feira, António Costa, Pedro Sanchez e Olaf Scholz, num artigo conjunto publicado em vários jornais europeus.

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