“Não teremos problemas em entendermo-nos, perante propostas concretas, analisando-as, desde que sejam as políticas e os objetivos do partido. Cá estamos para nos entender, desde que sejam para benefício dos açorianos e para direitos dos açorianos”, avançou, em entrevista à agência Lusa, lembrando que o partido já chegou a acordo no passado com PS e PSD na votação de propostas concretas no parlamento açoriano.

Artur Lima, que é deputado regional desde 2005 e concorre pela quarta vez como cabeça de lista do CDS pela ilha Terceira às eleições legislativas regionais de 25 de outubro, defendeu que é preciso retirar a maioria absoluta ao PS, que governa há 24 anos na região, porque as pessoas “têm medo de se expressar” e porque a administração pública contrata não por mérito, mas “pelo cartão partidário”.

“É preciso retirar a maioria absoluta ao PS, porque estamos a ver que quanto mais musculada fica e mais dura no tempo, mais há ‘jobs for the boys’, mais beneficiam quem tem cartão partidário e menos hipóteses há para os jovens”, sublinhou.

Tal como há quatro anos, o líder centrista disse estar convicto de que o PSD “não vai ganhar as eleições”, alegando que o partido não apresenta “listas credíveis aos olhos do eleitorado”.

“Além de um outro motivo: não tiveram propostas neste mandato que levassem a que o PSD fosse uma verdadeira oposição ao PS. Foi uma oposição birrenta, que não propôs alternativas”, criticou.

Para Artur Lima, o desenvolvimento dos Açores passa pela fixação de jovens e, por isso, propõe a atribuição de melhores salários e a contratação por mérito na função pública, a aposta na qualificação de profissionais nos setores produtivos e a criação de incentivos à natalidade, como o alargamento da creche gratuita à classe média.

“Temos muitos jovens qualificados que não voltam à sua terra. Para mim isto é a pedra toque. É preciso criar condições para que esses jovens, nas mais diversas áreas, pudessem voltar à sua terra”, sublinhou.

Entre as propostas do candidato centrista está também a aposta nos setores produtivos, que disse terem sido “absolutamente esquecidos”.

“É preciso investir definitivamente na valorização dos nossos produtos. Nós temos leite de altíssima qualidade, não temos uma campanha de promoção, de 'marketing', que as pessoas percebam que aquilo é um produto de excelência”, apontou.

Artur Lima defendeu, por outro lado, o rejuvenescimento da classe docente e o reforço de profissionais de saúde, alegando que a saúde e a educação são setores em que os Açores podiam “ser os melhores do país” e estar até “no topo da Europa”.

O candidato lembrou ainda iniciativas aprovadas no parlamento, por proposta do CDS-PP, como a atribuição de um complemento para a aquisição de medicamentos por idosos, o aumento das diárias dos doentes deslocados ou a criação de um prémio de mérito para estudantes do ensino superior.

“O que mais me orgulha, enquanto presidente do CDS nestes mandatos que tenho e no grupo parlamentar, é que as propostas que eu fiz são hoje direitos dos açorianos”, salientou.

Nas últimas eleições regionais, o partido aumentou o seu grupo parlamentar de três para quatro deputados.

Numa altura em que as sondagens nacionais apontam para uma queda do CDS, Artur Lima lembrou que desde 2008 ouve dizer que o partido vai desaparecer nos Açores, mas sempre resistiu.

“Eu confio que os açorianos vão reconhecer o nosso trabalho, vão avaliar o trabalho que desenvolvemos nos últimos quatro anos, vão avaliar as propostas do CDS e, com certeza, na altura de votar vão votar em quem mais trabalhou”, salientou.

Sem se comprometer com uma meta para o resultado eleitoral de outubro, o centrista disse não temer o desvio do seu eleitorado para outros partidos de direita, que concorrem este ano pela primeira vez nos Açores.

Líder do CDS-PP/Açores desde 2007, Artur Lima foi eleito pela última vez em 2015, no último congresso regional, e desde então enfrentou algumas críticas de militantes do partido, incluindo o presidente da Câmara Municipal das Velas, Luís Silveira, e a deputada Graça Silveira, que passou a independente nesta legislatura.

Questionado sobre os conflitos internos, disse que “num partido democrático é normal que as pessoas apresentem divergências de opinião”, mas considerou que foi “vítima dos maiores ataques de que algum político já foi vítima nos Açores”.

O congresso regional do partido, que chegou a estar marcado para dezembro de 2019, só se deverá realizar depois das eleições, no entanto Artur Lima garantiu que não foi “por falta de vontade” sua.

"Julgo que o partido neste momento está pacificado, pela minha parte e presumo que pela parte dos putativos candidatos. Estamos unidos em ter o melhor resultado eleitoral”, reforçou.

Nas eleições regionais açorianas existem nove círculos eleitorais, um por cada ilha, mais um círculo regional de compensação que reúne os votos que não foram aproveitados para a eleição de parlamentares nos círculos de ilha.

Nas anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra 30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do CDS-PP (quatro mandatos).

O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.

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