"O objetivo do Chega para estas eleições é retirar o PS do poder. Só dessa forma se pode criar uma nova energia, uma nova democracia na região. (...) Hoje já não se governa, só se fazem promessas", considera Carlos Furtado, em entrevista à agência Lusa.

Furtado é o cabeça de lista do Chega pela ilha de São Miguel nas eleições legislativas regionais de dia 25, cabendo ao secretário-geral da estrutura, José Pacheco, encabeçar a lista pelo círculo de compensação.

Uma eventual entrada do Chega no parlamento açoriano, diz o presidente do partido na região, teria como primeiro objetivo o "dignificar da política" no arquipélago.

Tal como no continente, também nos Açores o Chega defende a redução do número de deputados.

"Há ilhas nos Açores que têm mais deputados efetivos do que médicos. Há três vezes o número de deputados em relação aos presidentes de câmara. Isso parece quase anedótico, mas não é. A nível nacional temos 308 municípios e 230 deputados. Nos Açores há três vezes mais deputados [57] do que presidentes de câmara [19]. Isso é impensável", defende Carlos Furtado.

Questionado sobre, na eventualidade de tal redução se concretizar, o Chega ser possivelmente um dos partidos prejudicados, o candidato sublinhou: "[O Chega] Há-de ser um dos prejudicados. E digo-lhe mais: que se lixe. Se isso for em benefício da democracia e da população, que se lixe".

Para Carlos Furtado, quer os presidentes de câmara quer os delegados de saúde "são legítimos, e de que maneira, representantes do povo".

O candidato do Chega já concorreu pelo PSD à autarquia da Lagoa, em São Miguel, mas entretanto abandonou o partido.

"Sou um homem de direita, de princípios de direita. E não tenho vergonha de o assumir. Os meus pais eram simpatizantes do PSD desde sempre e fui sempre simpatizante e mais tarde militante. Recentemente fui-me apercebendo que o PSD se está agora a posicionar mais no centro-esquerda, e se calhar eu é que estava enganado. Com o aparecimento do Chega percebi que a minha casa já não era aquela", justificou.

Nos Açores, o Chega tem "algumas centenas de militantes", mas para Carlos Furtado "o número de militantes não é um armário de troféus", até porque "há simpatizantes que são mais Chega do coração do que alguns militantes o são nas outras forças partidárias".

Questionado sobre as polémicas a nível nacional em torno do partido e do seu líder, André Ventura, Carlos Furtado diz que estão em causa "dores próprias de crescimento de um partido que cresceu muito depressa".

No que se refere à economia regional, o candidato realça a situação da transportadora aérea SATA e dos seus prejuízos, defendendo que a empresa "está presa por arames".

"Estamos a correr sérios riscos de dentro de pouco tempo termos uma situação caótica nos transportes regionais. Esta é uma espada na cabeça do eleitorado açoriano", frisa Carlos Furtado.

O Chega concorre às eleições para o parlamento açoriano por oito círculos, sete de ilha e um de compensação - o partido não tem candidaturas apenas nas ilhas das Flores e do Corvo.

Nas eleições regionais açorianas existem nove círculos eleitorais, um por cada ilha, mais um círculo regional de compensação, que reúne os votos que não foram aproveitados para a eleição de parlamentares nos círculos de ilha.

Nas anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra 30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do CDS-PP (quatro mandatos).

O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.

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