19Em entrevista à agência Lusa a propósito das regionais no arquipélago, o monárquico, eleito pelo Corvo, por onde volta a concorrer, lembrou que um grupo parlamentar, "além de ter mais tempo de debate, tem um conjunto de prerrogativas importantes", nomeadamente a ausência de limites para debates de urgência ou a possibilidade de apresentar moções de censura ao executivo.

"A perspetiva é aumentar a intervenção do PPM, um dos partidos que apresentam mais trabalho no âmbito da assembleia. Estamos muito próximos da produção global que o PSD, com 19 deputados, alcançou. A ambição é constituir um grupo parlamentar e poder fazer uma oposição, se for caso disso, com muito mais meios e instrumentos parlamentares", declarou Estêvão.

Para o candidato, um voto no PPM equivale à "certeza absoluta" de trabalho "até à exaustão" dos eleitos pelo partido, que, frisou, prima também pela coerência.

"É muito difícil alguém encontrar uma contradição no discurso do PPM. Aquilo que dizemos em campanha eleitoral é o que fazemos ao longo do ano", sustentou.

Nesse sentido, Paulo Estêvão destacou a inclusão, em lugares de destaque das listas do partido, de profissionais de saúde, lamentando a ausência de médicos, em época de pandemia, nos lugares tidos por elegíveis no PS e no PSD.

"A nossa preocupação foi ter gente que, no âmbito do debate parlamentar, nos garante um belíssimo desempenho. Não percebo como é que PS e PSD fazem o recrutamento dos seus candidatos. Vamos ter dois grupos parlamentares sem médicos com hipóteses de serem eleitos. PS e PSD têm-se rendido a lógicas populistas, em que já não interessa a formação e qualidade nas diversas áreas. Têm nas suas listas o mais popular, que não quer dizer que seja o mais preparado", declarou.

Sobre o PS, que governa os Açores desde 1996, Paulo Estêvão criticou as "políticas desastrosas setor a setor" e disse que há "má governação nas mais diversas áreas", além de um ambiente de "pressão política", nomeadamente nas ilhas mais pequenas.

"Nem acho que seja comandado a nível central […], mas a verdade é que há todo um aparelho instalado que utiliza os recursos da administração regional, os membros do partido ocupam os lugares mais proeminentes nas diversas ilhas. É mesmo uma estratégia. Há todo um aparelho que é muito importante e cria expectativas positivas para quem vota favoravelmente", lamentou.

No seu entender, "não se vive um ambiente de verdadeira liberdade” nas ilhas: “A verdade é essa. Penso que os próprios dirigentes do PS têm consciência disso".

Os socialistas, sinalizou ainda, estão a aproveitar a crise da covid-19 para se "desculparem [dos] resultados péssimos nas diversas áreas".

"O seu discurso é no sentido de desculpabilizar todos os falhanços na governação com a covid-19. Veja-se o caso da SATA. A mesma coisa na saúde, em que as listas de espera já eram tremendas", acrescentou o monárquico.

O PPM concorre às eleições para o parlamento açoriano, que decorrem em 25 de outubro, em todos os círculos, sendo que no Corvo apresenta uma candidatura em coligação com o CDS-PP.

Nas eleições regionais açorianas existem um círculo eleitoral por cada ilha mais um círculo regional de compensação que reúne os votos que não foram aproveitados para a eleição de parlamentares nos círculos de ilha.

Nas anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra 30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do CDS-PP (quatro mandatos).

O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.

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