A campanha do presidente Donald Trump retirou uma parte central do processo judicial que tinha como objetivo cessar a certificação dos resultados eleitorais na Pensilvânia, estado onde o democrata Joe Biden venceu Trump, escreve o The Guardian esta segunda-feira.

A campanha de Trump desiste deste processo antes de uma audiência sobre o caso, que teria lugar na terça-feira. Em causa estava a alegação de que 682.479 boletins enviados por correio foram processados ilegalmente porque os representantes republicanos destacados para o estado não observaram o processo.

A ação, entregue ao Tribunal Federal no domingo, mantém o objetivo de impedir a Pensilvânia de certificar a vitória de Biden no estado. Mantém ainda a alegação de que os eleitores democratas foram tratados melhor que os republicanos.

As restantes reivindicações do processo estão centradas em desqualificar os votos de eleitores que tiveram a oportunidade de corrigir os boletins que seriam desqualificadas por aspetos técnicos, escreve o The Guardian. Estes aspetos são defeitos identificados em votos dos "condados com peso democrata" (“Democratic-heavy counties”) enviados por correio antes do dia das eleições (dia 3 de novembro), como a falta de um envelope a conter o voto, o “secrecy envelope”, ou a falta da assinatura do eleitor no envelope exterior.

Cliff Levine, um advogado a representar o Comité Democrático Nacional neste caso, disse ao jornal britânico que não é claro quanto eleitores tiveram a oportunidade de corrigir o seu boletim. No entanto, diz que o número é mínimo e que é, certamente, inferior à margem que separa Biden de Trump - quase 70 mil.

Em qualquer caso, não há nenhuma cláusula na lei que não permita que os condados ajudem os eleitores a corrigir o seu boletim de voto se este tiver defeitos técnicos. "Eles deviam [campanha de Trump] estar a processar os condados que não permitiram [os eleitores] a fazer correções", disse Levine ao The Guardian. "O objetivo deve ser ter a certeza de que cada voto conta".

A 7 de novembro, os principais órgãos de comunicação social norte-americanos (entre eles a CNN e a NBC) projetaram a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais de 3 de novembro. O democrata vence com 306 votos do Colégio Eleitoral, contra 232 do republicano Trump.

O Presidente cessante dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu este domingo a vitória do rival Joe Biden nas eleições, mas insistiu que houve fraude - sem apresentar provas.

“Ganhou porque as eleições foram fraudulentas. Não foram autorizados observadores dos votos, os votos foram contados por uma empresa privada da esquerda radical, Dominion, que tem má reputação e uma equipa enganadora que nem sequer preencheu os requisitos para operar no Texas (onde ganhei por larga vantagem), e os órgãos de comunicação falsos e calados, e muito mais!” escreveu Trump na sua conta no Twitter.

A sua publicação foi assinalada por aquela rede social com a frase “esta afirmação sobre fraude nas eleições é polémica”.

Trump apenas logrou pequenas vitórias nos tribunais, sucedendo-se reveses como o de sexta-feira em dois tribunais da Pensilvânia, onde seis processos apresentados pela sua campanha eleitoral foram indeferidos. Também na sexta-feira dia 13 de novembro, um tribunal da Pensilvânia atribuiu uma pequena vitória à campanha de Trump.

A decisão afeta um número indeterminado de votos, mas, segundo autoridades estaduais, trata-se de um valor bem inferior aos mais 54 mil votos que colocaram Biden na liderança neste Estado.

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