"A posição positiva assumida por partidos novos – Aliança e Iniciativa Liberal – é especialmente encorajadora. Por um lado, indica aos partidos tradicionais para onde aponta a sensibilidade da cidadania, quando independente de maus hábitos e de interesses instalados. Por outro lado, sendo partidos novos, mostram como são infundados os medos que ainda tolhem tantos nos partidos parlamentares", considerou a SEDES, numa análise realizada aos programas eleitorais do PS, PSD, CDS-PP, PCP, BE, PAN, Livre, Aliança e Iniciativa Liberal.

Contactado pela Lusa, José Ribeiro e Castro, que integra o Conselho Coordenador da SEDES, destacou que a Aliança e a Iniciativa Liberal apresentam propostas que evoluem para "um sistema misto" em que os cidadãos podem exercer um voto duplo, "escolher deputados e escolher o partido".

“Serve para dar mais saúde à democracia, a democracia está doente. Que estas posições possam salvar a cidadania. As pessoas estão descontentes. O sistema está feito de cima para baixo e não de baixo para cima”, realçou o ex-presidente do CDS-PP.

A SEDES nota que o programa eleitoral do PS apresenta, tal como o de 2015, propostas "em linha com uma reforma eleitoral em que os cidadãos passem a exercer um duplo voto: escolher deputados, além de votar em partidos".

A Iniciativa Liberal defende a “introdução de círculos uninominais e um círculo nacional”, "o que coincide com a proposta apresentada pela SEDES e pela APDQ [Associação Por uma Democracia de Qualidade].

A Aliança, partido presidido pelo ex-líder do PSD Santana Lopes, defende um sistema que "combine círculos uninominais, permitindo aos eleitores escolherem o seu representante na Assembleia da República, e um círculo nacional de compensação, visando assegurar a pluralidade partidária e a proporcionalidade do sistema eleitoral".

Já quanto a proposta deste partido para a redução do número de deputados de 230 para 181, a SEDES aponta que pode "revelar-se problemática".

Na análise realizada, o grupo de trabalho da SEDES apontou que o CDS-PP "não dedica uma única linha, nem uma só palavra aos problemas do sistema político e da reforma eleitoral, manifestando que estes problemas não existem ou que não os considera relevantes para a próxima legislatura".

No documento que resume a análise feita, hoje divulgado, a SEDES considera que o PSD "não toma posição" no sentido da criação de um sistema misto, mas "apresenta ideias que levam a pensar que participará numa reforma".

"O Bloco de Esquerda não apresenta propostas, mas não se exclui de reformas, desde que não afetem a proporcionalidade, nem a representatividade" e o PCP exprime-se contra, embora com uma posição balizada por preocupações específicas.

Os resultados da análise aos programas eleitorais serão apresentados publicamente na quinta-feira, numa sessão com a participação do presidente do Conselho Coordenador, João Duque, e dos restantes membros daquele conselho da SEDES, Alexandre Patrício Gouveia, Álvaro Beleza, Carlos Alves, Gustavo Guimarães, José de Azevedo Pereira, José Ribeiro e Castro, Maria João Louro e Rui Paiva.

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