A maior pressão verificada nos últimos dias nas unidades hospitalares da grande Lisboa tem sido “acomodada pela resposta em rede” do Serviço Nacional de Saúde, afirmou hoje a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira.

“Mas para mantermos bons níveis de resposta precisamos que ninguém, em nenhum momento, baixe a guarda e que todos cumpram as regras sanitárias que têm sido divulgadas desde o primeiro dia, sobretudo privilegiar o distanciamento social, desinfeção frequente das mãos e continuar a usar máscara sempre que possível”, disse a governante durante a habitual conferência de imprensa para atualizar a informação relativa à pandemia de covid-19.

Jamila Madeira defendeu que o governo tem procurado encontrar “as melhores respostas” para os problemas que vão surgindo e agilizá-las “tão rápido quanto possível” no terreno.

“É o que estamos a fazer com as medidas adotadas na Área Metropolitana de Lisboa e estamos certos de que, se cada um fizer a sua parte, trarão os resultados desejados a muito breve trecho”, declarou, durante o encontro com os jornalistas, em que esteve acompanhada pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

A secretária de Estado indicou que a linha Saúde 24, apesar de estruturalmente não se encontrar preparada para esta pandemia, enfrentou “um desafio gigante” num curto período, “respondendo plenamente ao papel de primeira triagem e respetivo encaminhamento” dos doentes.

“Nestes exigentes e singulares meses de 2020 deu resposta a mais de um milhão de chamadas, num reforço sem precedentes da sua capacidade”, frisou.

Jamila Madeira sublinhou que as dificuldades e os desafios continuarão a surgir todos os dias, “a todas as horas”, até que seja apresentada uma vacina e um tratamento eficaz para a covid-19, uma doença que diariamente revela “mais uma das suas vertentes”.

Governo responde a  Fernando Medina: "Os problemas que surgem na operação são os que são. Temo-los sinalizados"

“As chefias são sempre aqueles que assumem a responsabilidade como um todo. Os problemas que surgem na operação são os que são. Temo-los sinalizados. E estamos todos, enquanto parte desta operação, solidários com as soluções que vão sendo encontradas, afirmou Jamila Madeira, em conferência de imprensa no Ministério da Saúde.

Confrontada com críticas do presidente da Câmara de Lisboa, o socialista Fernando Medina, que defendeu a substituição de chefias nas autoridades de saúde de Lisboa face à falta de resultados na contenção da pandemia, Jamila Madeira afirmou que “por muito bons que sejam os profissionais ou as chefias, deparar-se-ão sempre com esses problemas técnicos que se vão refletir na evolução dos contactos e na evolução da pandemia”.

“As críticas são sempre bem-vindas e fazem parte da vida democrática. Vemo-las sempre como construtivas, numa lógica de procurar melhorar. Procuramos antecipar os problemas, às vezes com mais, outras vezes com menos sucesso”, declarou, salientando que “a realidade é dinâmica”.

Hoje, Fernando Medina afirmou que as suas críticas à atuação das autoridades de saúde no combate à covid-19 visaram "específica e circunscritamente" as chefias regionais e a equipa que está no terreno na Grande Lisboa.

"Eu fui muito claro nas declarações que fiz. Referi-me específica e circunscritalmente às chefias de âmbito regional e à equipa que está hoje no terreno, de âmbito regional", ilustrou Fernando Medina numa entrevista ao podcast do PS "Política com Palavra", que será divulgada na quinta-feira.

O autarca de Lisboa concretizou, deste modo, os alvos diretos das acusações que fez às autoridades de saúde, no seu habitual espaço de comentário político na TVI24, no âmbito do combate à pandemia na região de Lisboa e Vale do Tejo, em que declarou que "com maus chefes e pouco exército não é possível ganhar esta guerra”.

Jamila Madeira assumiu que “há dificuldades” no contacto entre as autoridades de saúde e casos ativos de covid-19 por causa de “moradas falsas e alterações de morada”, que “não se circunscreve a um problema de Lisboa e Vale do Tejo” mas que se agrava numa área metropolitana em que o preço das casas motiva alterações de residência e os documentos pessoais nem sempre são atualizados logo que se muda de casa.

“Não é algo que a Saúde consiga resolver. Tem a ver com os registos”, indicou, assinalando que, mesmo assim, se têm tentado “outros caminhos para identificar e localizar as pessoas, mas não com a celeridade desejada”.

A secretária de Estado destacou a colaboração entre profissionais de saúde e de outros setores nos esforços de saúde pública em torno de Lisboa e Vale do Tejo, indicando que houve reforços e rotação das equipas, “que começam a ficar com sinais de cansaço acumulado evidente e inevitável”.

Portugal desconhece se vai continuar a ter antiviral Remdesivir

A secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, disse aos jornalistas que a autoridade nacional do Medicamento (Infarmed) “pediu informação à empresa” sobre os ‘stocks’ disponíveis do medicamento, que é usado em Portugal de forma pontual em casos mais graves de covid-19.

Os Estados Unidos compraram à empresa Gilead Sciences praticamente toda a reserva para três meses do medicamento remdesivir, o primeiro aprovado no país no tratamento de covid-19, anunciou na segunda-feira o departamento de saúde norte-americano.

Em comunicado, o departamento de saúde informa que "assegurou mais de 500 mil ciclos de tratamento do medicamento para hospitais americanos até setembro", o que equivale a "100% da produção prevista da Gilead para julho (94.200 ciclos), 90% da produção em agosto (174.900 ciclos) e 90% da produção em setembro (232.800 ciclos), além de uma verba para ensaios clínicos".

“Só com uma resposta do lado da empresa é que conseguiremos adiantar se este recurso, nos termos em que estava a ser utilizado em Portugal, está salvaguardado”, disse Jamila Madeira.

O medicamento, com uma autorização especial de utilização, “está disponível desde o primeiro dia da pandemia em Portugal”, referiu, acrescentando que todos os médicos que consideraram que seria útil o puderam pedir e utilizar nos seus pacientes.

Na semana passada, a ministra da Saúde, Marta Temido afirmou que Portugal estava a discutir com a empresa o acesso e preços de compra do antiviral, para o qual a Agência Europeia de Medicamentos (AEM) já recomendou uma autorização de mercado na União Europeia, a primeira para um medicamento contra a covid-19.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, indicou que os hospitais ativaram o programa de acesso precoce e têm usado o Remdesivir “para doentes graves”.

A Direção-Geral da Saúde assinala que o medicamento “foi útil na área pediátrica, foi rápido e fácil o acesso e nas crianças que o utilizaram, correu bem”.

A recomendação do comité para medicamentos para uso humano da AEM destina-se ao uso de Remdesivir em doentes com covid-19 adultos e jovens com mais de 12 anos e que sofram ainda de pneumonia e necessitem de receber oxigénio.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 511.000 mortos e infetou mais de 10,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.579 pessoas das 42.454 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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