Em declarações à agência Lusa, a presidente da AHP disse que os hotéis My Story Tejo, na praça da Figueira, Turim Ibéria, na avenida 5 de Outubro, e Vip Berna, na avenida António Serpa – que estavam encerrados na sequência da pandemia de covid-19 – “abriram especificamente, gratuita e generosamente as portas para acolher 80 profissionais de saúde”, num “momento de união e de entreajuda” a que o setor da hotelaria não tem ficado alheio.

“O Turim Ibéria e o Vip Berna porque estão mais próximos do Curry Cabral e o My Story Tejo para acolher os 40 profissionais do São José”, explicou Cristina Siza Vieira, salientando que, após o “pedido urgente” recebido por parte destes hospitais, foram necessárias apenas “duas horas para conseguir os 80 quartos” necessários.

Segundo a dirigente associativa, esta é uma situação que se tem replicado “por todo o país”, onde “muitos e muitos hotéis, dos mais modestos aos de luxo, têm anonimamente oferecido a sua ajuda, acolhendo profissionais e doando muitos bens, equipamento e produtos”.

“Havemos de lhes agradecer a todos, a cada um individualmente. Hoje, porém, queremos sublinhar a pronta disponibilidade destes hotéis nossos associados que, estando já fechados, vão reabrir a suas custas e acolher gratuitamente estes profissionais que precisam de acolhimento”, afirmou, assegurando que “os empresários hoteleiros, apesar da séria situação em que se encontram, estão sempre disponíveis para servir o país”.

De acordo com Cristina Siza Vieira, a AHP articulou também “com os CEO [presidentes executivos] de ‘utilities’ [empresas de serviços de utilidade pública] como EDP, Galp, Endesa e Águas de Portugal e de empresas de telecomunicações como a Nos, Vodafone e Meo que todos oferecessem os seus serviços enquanto os hotéis estiverem gratuitamente a acolher estes profissionais de saúde”.

Na sequência da crise gerada pela pandemia de covid-19, e através do seu programa de responsabilidade social e sustentabilidade ambiental HOSPES, a AHP tem já vindo a reunir os hoteleiros e parceiros para dar resposta a vários pedidos de ajuda que lhe têm chegado, entre os quais se destaca a recente solicitação para equipar o hospital de campanha criado no Estádio Universitário de Lisboa.

“Em 48 horas, a resposta foi surpreendente. Só para equipar este hospital de campanha, que terá 500 camas, a AHP enviou mais de 3.000 bens, entre lençóis, edredons, toalhas, almofadas e fronhas”, disse à Lusa a dirigente associativa.

No total, disse, “aos pedidos de várias entidades – como a Câmara Municipal de Lisboa, para apoiar as populações mais vulneráveis da cidade, o Hospital de Santa Maria e o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa – os hotéis ligados ao programa HOSPES responderam com a doação de mais de 36 mil bens”, desde atoalhados, lençóis, almofadas, cobertores e edredons a luvas e produtos de higiene e cuidado pessoal”.

Entre estes, disse, contam-se “11.000 doses individuais de shampoo, mais de 8.000 ‘kits’ de escovas e pastas de dentes, 7.000 sabonetes, mais de 4.000 luvas e mais de 300 cobertores, edredons e mantas”.

Paralelamente, acrescentou Cristina Siza Vieira, a AHP tem vindo a colaborar com a Ageas Portugal na iniciativa lançada por esta empresa para envolver os seus colaboradores na elaboração de máscaras para os profissionais que necessitam de proteção para trabalhar, tendo doado “mais de mil lençóis” para o efeito.

Para garantir a entrega dos bens e produtos, a AHP diz ter contactado a Mub Cargo, uma ‘startup’ de Braga, que “coordenará toda a logística de entrega e transporte”.

“Apesar do período muito difícil que atravessamos em todos os setores, e particularmente no nosso, é muito gratificante ver a resposta pronta dos nossos associados e dos parceiros. O trabalho em conjunto e coordenado faz toda a diferença e é prova de que a comunidade hoteleira, hotéis, trabalhadores, fornecedores e parceiros estão juntos, não só nos bons ciclos, mas também na adversidade”, sustentou a presidente da AHP.

A AHP é a maior associação patronal da indústria hoteleira em Portugal, representando os seus associados mais de 65% do número de quartos da hotelaria nacional.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 600 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 28.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 100 mortes, mais 24 do que na véspera (+31,5%), e registaram-se 5.170 casos de infeções confirmadas, mais 902 casos em relação a sexta-feira (+21,1%).

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

Além disso, o Governo declarou no dia 17 o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

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