Em conferência de imprensa, meia hora atrasada na Assembleia da República, a jurista eleita pelo círculo de Viana do Castelo referiu ter acesso à palavra-passe pessoal ("password") de Silvano e de outros deputados e vice-versa, para terem acesso a documentos e ficheiros de trabalho guardados nos respetivos computadores.

"Tenho a 'password' de alguns colegas de quem sou muito próxima, tal como eles têm a minha. Faz parte da vida de muitas organizações", afirmou, negando qualquer pedido por parte de Silvano para o fazer o seu registo quando estava ausente, especificamente nos dias 18 e 24 de outubro.

Emília Cerqueira, que intuiu tratar-se de mais um "ataque direto à direção de Rui Rio porque parece que desde que está à frente do partido tudo está errado, tudo está mal", justificou que o sucedido "tem a ver com a necessidade de consultar documentação" partilhada da "I comissão [parlamentar], quer do grupo autárquico nacional" porque "está apenas acessível no computador dele".

"Várias vezes o fiz e assumo-o, mas, ao contrário daquilo que fizeram passar ou da imagem que estão a criar, não para marcar presenças do deputado José Silvano, coisa que ele nunca me pediu nem eu fiz, pelo menos propositadamente, porque percebo agora que o fiz inadvertidamente. Lamento que tal tenha sucedido e mais ainda lamento que se tenha criado um circo mediático à volta de uma coisa tão simples como um colega partilhar ficheiros de outro colega", disse.

"Digam-me, srs. jornalistas, quem de vós partilhou nunca partilhou uma 'password', quem nunca partilhou que diga, seja deputado, jornalista, uma secretária, normalmente temos alguém e se alguém não tem é uma exceção à regra no mundo do trabalho e das organizações", continuou a deputada, que se classificou como uma "não profissional da política" e disse que o hemiciclo parecia "uma bolha em que as pessoas se isolam do mundo real".

Emília Cerqueira garantiu ser "assídua" e sempre ter "cumprido com as obrigações" a que está sujeita, atribuindo a gravidade que este episódio "de lamaçal" assumiu à sua "inexperiência política, pelo menos na política dos corredores de Lisboa".

"Lamento profundamente que isto tenha acontecido. Uma prática corrente em todas as organizações e, agora, toda a gente se preocupa, como um bando de virgens ofendidas - desculpem a expressão, mas eu sou do Alto Minho -, numa terra onde não há virgens. Como se nunca em momento algum na vida de trabalho que todos temos nunca tivéssemos partilhado ficheiros com um colega", continuou.

A parlamentar social-democrata recusou ainda retirar quaisquer consequências políticas dos factos em causa sobre o seu mandato de deputada ou de membro do conselho jurisdicional do PSD porque se trata de "uma falsa questão, de falsos moralismos em que se condena uma pessoa apenas por fazer o seu trabalho".

"Tem a ver com a necessidade de consultar documentação que partilhamos. Importa esclarecer a este respeito que essa documentação está apenas acessível no seu computador. É impossível através do meu aceder a essa documentação. Sempre que é necessário eu acedo ao computador dele sem qualquer problema — naturalmente documentação de trabalho porque são ficheiros partilhados facilmente", esclareceu.

A deputada de Viana do Castelo sugere que se trata de uma prática comum entre colegas e que "agora, perdoem-me a expressão, mas parecem todos umas virgens ofendidas", disse.

A deputada assume que acedeu "inadvertidamente" à conta de José Silvano, mas lamenta o "circo mediático de uma coisa tão simples como um aceder ao documentos de trabalho de colega".

"É um momento como outro qualquer, de rotina", justificou.

A argumentação de Emília Cerqueira assenta no facto de "não ser preciso uma 'password' específica para registo de quórum" e que para aceder à informação partilhada é necessário colocar "sempre" a palavra-passe sempre que é necessário iniciar uma sessão no computador.

De acordo com a notícia do Expresso de hoje, que posteriormente levou a que a advogada fizesse esta comunicação à imprensa, "as imagens do Canal Parlamento provam que a deputada" esteve "nos dois dias, à hora a que a validação da presença de Silvano foi feita no sistema informático da AR, no computador onde isso foi feito".

Esta quinta-feira, dia 8, numa declaração na Assembleia da República sem direito a perguntas, José Silvano tinha afirmado que não pediu a ninguém que registasse a sua presença em plenário quando faltou e disse querer que a PGR investigue o caso.

"Quero afirmar que não pedi a ninguém que registasse a minha presença no plenário da Assembleia da República, tal como estou convencido que nenhum deputado o terá feito, mesmo quando no exercício de cargos executivos de direção partidária ao longo de anos", afirmou.

O secretário-geral do PSD justificou o facto de só esta quinta-feira ter tomado esta posição pública porque nunca imaginou "que este episódio pudesse chegar ao patamar mediático a que chegou, atingindo de forma voluntária ou involuntária a minha dignidade, não querendo expor publicamente os meus colegas deputados".


Notícia atualizada às 18h00

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