Ouça o episódio no player mais abaixo.

Mata é a aldeia que visitamos neste episódio. Embora existam na tradição oral alguns trocadilhos com o nome da terra, a ideia de resistência ao novo coronavírus está longe de ter ligação ao topónimo.

Aldeia do Astérix, paraíso… Chamemos-lhe o que quisermos. A verdade é que quem vive na Mata sente que a covid-19 é uma realidade quase só da televisão.

Sente-o pelo isolamento geográfico. Apesar de ficar apenas a 15 quilómetros de Castelo Branco e nem a 50 de Espanha, viver nesta aldeia é estar entre campos de oliveiras e mal avistar outras povoações no horizonte.

Mas também pelo isolamento humano. A Mata é um forte exemplo da desertificação do interior de Portugal.


Este é o sétimo episódio da série "O que se ouve quando o país pára". Clique aqui para ouvir:


A freguesia perdeu um quinto da população entre 2001 e 2011, dados do Instituto Nacional de Estatística. Tinha apenas 470 residentes, segundo os últimos censos - agora já serão menos.

"O que se ouve quando o país pára"

Episódio 1: O silêncio das pedras mortas

Episódio 2: Como assim uma largada de touros se as festas estão proibidas? Assim, de bicicleta

Episódio 3: E tudo correu bem, para eles e para os morangos

Episódio 4: “Um gajo sempre andou aqui. Tem saudades disto”. A história de Ivo e dos outros que ficaram longe do mar

Episódio 5: Eles já lá estavam, mas quando nos fechámos em casa é que os vimos melhor

Episódio 6: “A gente sentir-se só é muito triste”. Quando as portas se fecharam, só sobrou silêncio na vida de Alzira e Maria das Dores

Episódio 7: “Estamos aqui no paraíso, o vírus não tem cá que fazer”

 

A família de Luísa Falcão, protagonista do episódio de hoje, é retrato disso mesmo: a avó (a própria Luísa) ficou a viver na Mata, a filha é professora em Castelo Branco, a neta trabalha em Lisboa.

“Quem vê o seu povo vê o mundo todo”, afirma a dada altura Luísa.

Durante o sábado que passámos nesta aldeia, um dos dias mais movimentados da semana, cruzámo-nos com não mais do que 20 pessoas. Nenhuma delas com menos de 60 anos. Bate certo com os censos que nos dizem que em 2011 havia aqui apenas 19 pessoas entre os 15 e os 24 anos.

"Há cá mais cães que pessoas", remata Francisco Falcão, marido de Luísa, em tom de boa disposição. É esse o espírito do episódio de hoje. Ouça a história clicando no player acima.


“O que se ouve quando o país pára” é uma coleção de histórias e de sons que nos mostram como a vida das pessoas e dos lugares foi afetada quando Portugal parou por causa da covid-19.

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Luísa Falcão, 77 anos, tem um minimercado na Mata há 50 anos, no largo da igreja. No início da pandemia, o movimento na loja aumentou porque as pessoas tinham medo de ir às grandes superfícies. créditos: Margarida Alpuim | MadreMedia
Francisco Falcão, 81 anos, marido de Luísa, dedica-se à agricultura nuns terrenos que o casal tem à entrada da aldeia. À sexta-feira vai a Castelo Branco fazer as compras para abastecer o minimercado. créditos: Margarida Alpuim | MadreMedia
Bartolomeu Barreto é amigo do casal Falcão e mora ao lado do minimercado. Diz que não tem medo da covid-19 e que o vírus “não chega à Mata”. créditos: Margarida Alpuim | MadreMedia
Ao fim de semana, Francisco e Bartolomeu passam a manhã sentados na conversa junto à entrada do minimercado. créditos: Margarida Alpuim | MadreMedia
Uma das medidas de prevenção à covid-19 é o uso da máscara dentro do minimercado. Não raras vezes os clientes se esquecem dela e ficam à porta a fazer o pedido. créditos: Margarida Alpuim | MadreMedia
Apesar de ser uma aldeia com pouco movimento, às vezes é preciso ficar à espera para entrar na loja da D. Luísa, agora que só podem lá estar dentro duas pessoas. créditos: Margarida Alpuim | MadreMedia
Ao sábado à tarde e ao domingo, Luísa Falcão vai com o marido tratar da horta e das ovelhas e galinhas. créditos: Margarida Alpuim | MadreMedia
Ao sábado à tarde e ao domingo, Luísa Falcão vai com o marido tratar da horta e das ovelhas e galinhas. créditos: Margarida Alpuim | MadreMedia
A Mata é uma aldeia envelhecida e com muito pouco movimento - 470 residentes e apenas 19 com idades entre os 19 e os 24 anos, segundo os últimos censos. créditos: Margarida Alpuim | MadreMedia

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