Unidades de choque da polícia equatoriana atacaram centenas de indígenas que chegaram ao campus da Universidade Central de Quito, no nono dia de mobilização na capital do país, apesar do Presidente Guillermo Lasso ter decretado um segundo estado de emergência.

Mas foi na localidade amazónica de Puyo, a sul de Quito, que um nativo quéchua morreu na terça-feira.

“Houve um confronto e essa pessoa foi atingida no rosto, aparentemente por uma bomba de gás lacrimogéneo”, disse à agência France Presse (AFP) a advogada Lina María Espinosa, da Aliança de Organizações de Direitos Humanos.

Um jovem já tinha morrido na noite de segunda-feira, após cair numa ravina durante as manifestações, com o Ministério Público a prometer abrir uma investigação por suposto homicídio.

Na capital, as forças de segurança usaram gás lacrimogéneo, canhões de água, veículos motorizados e polícia montada a cavalo contra estudantes e indígenas que chegaram ao campus da Universidade Central, convertido pelos manifestantes em centro de acolhimento de camponeses, especialmente mulheres e crianças.

Vários dirigentes indígenas sublinharam que o ataque policial ocorreu num momento em que muitos camponeses realizavam o ritual de Inti Raimy (Festa do Sol, em quéchua), comemorado no solstício de verão.

Os dirigentes acusaram ainda a polícia de lançar gás lacrimogéneo dentro do campus numa altura em que muitas mães e crianças camponesas recebiam cuidados de saúde e alimentação por parte de grupos sociais solidários com os manifestantes.

O ataque ocorreu num momento em que se esperava uma declaração do líder da Confederação das Nacionalidades Indígenas (Conaie), Leonidas Iza, sobre a possibilidade de abertura de um espaço de diálogo entre o movimento e o governo.

A Conaie, que participou das revoltas que derrubaram três presidentes entre 1997 e 2005 e liderou as violentas manifestações de 2019, que causaram 11 mortos, tem organizado protestos desde 13 de junho.

Milhares de indígenas começaram uma marcha pacífica em direção ao centro de Quito na segunda-feira.

Os indígenas exigem que seja revogado o estado de emergência decretado pelo governo em seis províncias para refrear os protestos, assim como o início de conservações sobre as 10 exigências que a Conaie apresentou.

A lista inclui o congelamento e redução de preços de combustíveis, o controlo de preços dos bens de primeira necessidade, o fim das privatizações e da flexibilização das leis laborais.

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