As autoras Dulce Maria Cardoso, de Portugal, que escreveu “Eliete”, e a brasileira Nara Vidal, autora de “Sorte”, foram distinguidas em segundo e terceiro lugar, respetivamente.

“Quando penso no caminho deste livro, e no que foi preciso viver até escrever este livro, me passa pela cabeça pessoas que já morreram, lembro-me muito dos meus avós”, disse Djaimilia Pereira de Almeida numa declaração gravada e exibida após o anúncio do resultado.

“Gostava de fazer muitos agradecimentos. É uma honra muito grande para mim, nunca imaginei a estar a gravar este depoimento”, acrescentou.

Maria Esther Maciel, professora e crítica literária, que participou no júri do prémio, falou sobre o romance vencedor, antes do anúncio: “É um romance sobre diáspora, é um romance sobre solidão e paradoxalmente sobre amizade e solidariedade […]. O enredo é simples, conta a história dos personagens Cartola de Sousa e seu filho, que saem de Angola rumo a Lisboa em meados dos anos da década de 1980”.

Em Lisboa, as personagens vivem uma realidade inesperada, em miséria, e têm várias experiências até se mudarem para um bairro chamado Paraíso, que é uma espécie de favela de lata.

Paulo Nascimento, cônsul-geral de Portugal na cidade de São Paulo, esteve na premiação e, num breve discurso, avaliou que as instituições que patrocinam prémios como o Oceanos são fundamentais para a promoção da língua portuguesa no mundo.

“A importância do prémio Oceanos revela-se pelo número crescente de candidatos, neste ano foram 1.497 publicações concorrendo e é importante sublinhar que estes livros não são apenas de Portugal e do Brasil, mas de outros países de língua portuguesa e países que não são de língua portuguesa”, disse Nascimento.

Uma das curadoras do Oceanos, Selma Caetano, lembrou - bastante emocionada - que a premiação quase foi extinta depois de perder o patrocínio da Portugal Telecom, mas acabou resistindo.

“Assim como nós não deixamos o Oceanos morrer em 2015 nos vamos encontrar meios de preservar nossas conquistas pelos direitos humanos, pela diversidade pela cultura. As políticas culturais estatais passam, mudam, conforme o Governo, nos não podemos deixar morrer as histórias”, afirmou.

Além das três autoras vencedoras, estavam entre os finalistas o angolano Pepetela, pseudónimo do angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, com o romance “Sua Excelência, de Corpo Presente” e os autores portugueses João Tordo, com “Ensina-me a Voar Sobre os Telhados”, e José Gardeazabal, autor de “Meio Homem Metade Baleia”.

Os outros quatro autores selecionados como finalistas foram os brasileiros Gustavo Pacheco, autor do livro de contos “Alguns Humanos”, e os romancistas Cristovão Tezza com “A Tirania do Amor”, Mauricio Lyrio com “O Imortal”, e Nei Lopes com “O Preto que Falava Iídiche”.

Os 10 finalistas foram escolhidos por um júri composto pelos críticos literários Eliane Robert Morais e Ítalo Moriconi, e as escritoras Maria Esther Maciel e Veronica Stigger, do Brasil.

Também fizeram parte do júri a jornalista Ana Sousa Dias, o poeta Daniel Jonas e o crítico literário Manuel Frias Martins, de Portugal, para além do crítico literário Francisco Noa, de Moçambique.

Em 2019, a curadoria do prémio Oceanos esteve a cargo da linguista cabo-verdiana Adelaide Monteiro, da jornalista portuguesa Isabel Lucas, da gestora cultural Selma Caetano e do jornalista Manuel da Costa Pinto, ambos do Brasil.

O valor total dos prémios foi de 250 mil reais (56 mil euros), verba que será dividida por três escritores.

O livro vencedor receberá 120 mil reais (27 mil euros), o segundo classificado 80 mil reais (18 mil euros) e o terceiro 50 mil reais (11 mil euros).

O Prémio Oceanos conta com os patrocínios do Banco Itaú, da República de Portugal (através do Fundo de Fomento Cultural do Ministério da Cultura), da CPFL Energia e tem o apoio do Instituto Itaú Cultural.

O prémio Oceanos teve a participação de 1.467 concorrentes com obras lançadas por 314 editoras de 10 países.

(Notícia atualizada às 16h35)

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