"Magdalene Giacente” [Madalena recostada] foi uma das últimas esculturas de mármore terminadas pelo grande artista italiano Antonio Canova antes da sua morte, em 1822, e retrata Maria Madalena em estado de êxtase, conta o The Guardian.

A escultura, originalmente encomendada pelo então primeiro-ministro britânico, Lord Liverpool, tornou-se, no mundo da arte, uma representação de uma “bela adormecida”, à medida que a sua autoria foi sendo gradualmente esquecida e o seu paradeiro se tornou desconhecido.

Mas tudo começou a mudar em 2022, quando foi identificada após ter sido vendida num leilão de estatuária de jardim por apenas 5.200 libras (cerca de 6 mil euros), foi revelado esta quinta-feira. E agora tudo se alterou ainda mais: a escultura foi avaliada para venda entre 5 e 8 milhões de libras, ou seja, um máximo de 9,4 milhões de euros.

"É um milagre que a obra-prima excecional e há muito perdida de Antonio Canova tenha sido encontrada, 200 anos após a sua conclusão", disse o Mario Guderzo, um importante estudioso de Canova e antigo diretor do Museo Gypsotheca Antonio Canova. "Esta obra tem sido procurada por académicos há décadas, pelo que a descoberta é de importância fundamental para a história do colecionismo e para a história da arte".

A escultura será leiloada pela Christie's este verão. Os seus vendedores não foram nomeados, mas fala-se num casal britânico que a comprou para decorar o seu jardim.

A sua redescoberta "traz à conclusão uma história muito particular digna de um romance, de um mármore de valor histórico significativo e de grande beleza estética produzido por Canova nos últimos anos da sua atividade artística", disse Guderzo.

Canova é acarinhado por historiadores e colecionadores de arte pelos seus talentos composicionais e pela sua capacidade de traduzir essas composições em mármore.

Escrevendo sobre a estátua de Maria Madalena, em 1819, disse ele: "Expus outro modelo de uma segunda Madalena deitada no chão, e quase desmaiei devido à dor excessiva da sua penitência, um tema que me agrada muito, e que me rendeu muita indulgência e elogios muito lisonjeiros".

Um destes admiradores foi o escritor e poeta irlandês Thomas Moore, que escreveu que Canova o levou “a ver a sua última Madalena, que é divina: ela está deitada de costas em todo o abandono da dor; e a expressão do seu rosto e a beleza da sua figura... são a perfeição".

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