O especialista participa na segunda-feira numa conferência promovida pelo Centro Hospitalar Lisboa Norte sobre “Inovação e Segurança da Informação”, com uma palestra sobre os desafios da segurança de dados.

Para o especialista, em Portugal “não há um ordenamento do território nacional no espaço virtual”, seja no sistema de saúde, seja em outros essenciais, defendendo que essa arquitetura dos sistemas é essencial para se saber “o que há para ‘securizar’”.

“Quando falamos de cibersegurança temos de questionar: Há um sistema de saúde ou há um conjunto de sistemas de saúde numa cacofonia incrível? Onde está a informação de saúde [de cada um]? Ninguém sabe responder. Porque ninguém sabe onde está”, afirmou em declarações à agência Lusa.

Para o presidente do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, a discussão da cibersegurança em sistemas complexos como é o da saúde “tem de estar associada à arquitetura do espaço virtual”.

José Tribolet entende que a “inacreditável cacofonia de sistemas” na área da saúde – que nada tem a ver com a diferença entre setor público e privado – torna difícil saber o que, em concreto, se pretende tornar seguro.

“Podia ser uma sinfonia. Os instrumentos estão lá, os artistas estão bem, não está é sincronizado e orquestrado. É um problema de harmonização e orquestração sistemática [dos sistemas]”, compara.

E o especialista entende que só a vale a pena falar de cibersegurança caso se compreenda o sistema: “Primeiro temos de saber qual é o problema. Segurar o quê, onde está? Ninguém sabe dar resposta”.

Assim, considera que ninguém consegue fazer “uma cartografia do que são os sistemas de saúde” nas várias componentes (informação, ‘softwares, acessos e rede), o que torna muito difícil tornar seguro um sistema, mas, por outro lado, também torna mais irrelevantes eventuais danos ou ataques que queiram ser feitos.

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