“Espanha está disposta a participar numa repartição equilibrada dos migrantes acolhidos no navio”, atualmente em águas territoriais italianas, anunciou o executivo espanhol num comunicado.

O texto precisa que Madrid está a trabalhar com a Comissão Europeia e com outros Estados-membros para chegar a uma “solução europeia, ordenada e solidária”.

O Open Arms, propriedade da organização não-governamental espanhola com o mesmo nome, está perto da ilha italiana de Lampedusa há duas semanas a aguardar autorização para desembarcar 147 pessoas resgatadas do Mediterrâneo.

“A União Europeia deve enfrentar o desafio migratório com mecanismos de colaboração em que os Estados-membros participem, mantendo presente que não se trata de um problema exclusivo dos Estados ribeirinhos, mas de toda a UE, e que, como tal, tem de ser enfrentado em conjunto”, lê-se no comunicado.

Itália e Malta, os dois países mais próximos da localização do Open Arms, recusaram receber o navio, mas na quarta-feira a justiça italiana autorizou o navio a aportar em Lampedusa, suspendendo um decreto do ministro do Interior, Matteo Salvini, que proibia o Open Arms de entrar em águas italianas.

Salvini assinou na madrugada de hoje um novo decreto para voltar a barrar o navio, mas a ministra da Defesa, Elisabetta Trenta, recusou assiná-lo, num sinal das crescentes divisões entre os parceiros de coligação em Itália, a Liga (extrema-direita) de Salvini e o Movimento 5 Estrelas (antissistema).

Desde o início desta crise, Espanha, por seu lado, tem mantido que não tem obrigação de receber os migrantes, que considera deverem ser acolhidos num porto de Itália, e insiste que é dos países da UE que mais migrantes resgata do mar.

O Open Arms entrou hoje em águas territoriais italianas e está frente a Lampedusa a aguardar autorização para desembarcar as 147 pessoas que leva a bordo.

Além deste, há um outro navio, o Ocean Viking, operado pelas organizações Médicos Sem Fronteiras e SOS Mediterranée, que aguarda, com 356 migrantes a bordo, autorização para aportar.

Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), entre 01 de janeiro e 04 de agosto de 2019 mais de 39.000 migrantes e refugiados chegaram à Europa através do Mar Mediterrâneo, cerca de 34% menos que em igual período de 2018.

Daquele total, o maior número de pessoas chegou à Grécia (18.947), seguindo-se a Espanha (13.568), Itália (3.950), Malta (1.583) e Chipre (1.241).

No mesmo período, 840 pessoas morreram durante a travessia, segundo a organização.

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